[Economia] “A evolução da economia brasileira na segunda metade do século…
“A evolução da economia brasileira na segunda metade do século XX mostra duas características salientes: primeiro, um ritmo de crescimento alto, por comparação com outros países; segundo, uma nítida quebra de tendência, ao redor de 1980” ( Versiani; em “O cenário econômico brasileiro: realidade atual e perspectivas” ). Comente a assertiva acima, levando em conta o papel do Estado no crescimento até 1980, e o processo que transformou o acelerado crescimento econômico de até então (cujo ápice foi o “milagre econômico” dos anos 1968-73) na recessão da década de 1980.
No período anterior à década de 1980, o crescimento econômico foi marcado pelo dinamismo do setor industrial, que diversificou consideravelmente sua base produtiva. Isso se relacionou de modo importante com a ação do Estado (..) A forte presença do Estado como viabilizador do processo de industrialização, nesse período, seguiu a visão “desenvolvimentista”, associada às análises do desenvolvimento latino-americano empreendidas pela Cepal;
Quanto à ruptura de tendência ao redor de 1980, cabe mencionar três fatores.
1- A relativamente baixa eficiência produtiva do setor industrial que se desenvolveu no período, associada não só à ausência de concorrência externa, mas também a fatores como a dependência de concessões e estímulos governamentais;
2- Segundo, a crise fiscal dos anos oitenta (oriunda principalmente da inflação) que reduziu drasticamente a capacidade do Estado de fornecer isenções e subsídios à industrialização, ou de contribuir para o financiamento do investimento;
3- Terceiro, o problema do endividamento externo da década de 1980: uma combinação de aumento dos juros no mercado financeiro internacional (impactando de forma dramática o serviço da dívida externa) e de redução da oferta de capitais emprestáveis pelo exterior teve um efeito altamente negativo sobre a poupança externa.__X______________________
No período anterior à década de 1980, o crescimento econômico foi marcado pelo dinamismo do setor industrial, que diversificou consideravelmente sua base produtiva. Isso se relacionou de modo importante com a ação do Estado, que pôs em prática, especialmente a partir dos anos cinqüenta, diversas medidas que favoreceram a “industrialização por substituição de importações” ( ISI ): altos impostos sobre importação, isenção de impostos, facilidades de importação e crédito subsidiado para a indústria nacional, viabilização da infra-estrutura produtiva, etc. Somando-se a isso um mercado interno de tamanho substancial, havia grande potencial de atração para investimentos externos diretos (IED). Assim, a participação do capital estrangeiro foi de importância central, no período, assim como a participação do Estado diretamente como produtor, por meio das empresas estatais. A forte presença do Estado como viabilizador do processo de industrialização, nesse período, seguiu a
visão “desenvolvimentista”, associada às análises do desenvolvimento latino-americano empreendidas pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina, órgão da ONU), muito influentes na época. A intervenção estatal era vista, nessa perspectiva, como indispensável para a promoção do desenvolvimento econômico da região, com ênfase na industrialização. Quanto à ruptura de tendência ao redor de 1980, cabe mencionar três fatores. Primeiro, a relativamente baixa eficiência produtiva do setor industrial que se desenvolveu no período, associada não só à ausência de concorrência externa, mas também a fatores como a dependência de concessões e estímulos governamentais (para suplantar os concorrentes, seria mais importante obter tais concessões do que produzir mais eficientemente). O objetivo de eficiência produtiva tinha relativamente pouco peso também no caso do IED, que se movia muito mais pelo propósito de ofertar bens para substituir a importação, principalmente considerando a baixa competitividade externa. Com o avanço do processo de globalização produtiva, essa ineficiência foi se tornando crescentemente um ônus. As novas demandas da economia internacional, como resultado de rápidos avanços tecnológicos em vários setores, e bem assim as negociações multilaterais visado à liberalização do comércio (como aquelas realizadas na OMC) e à regionalização econômica (como o Mercosul), culminaram com a gradual substituição da visão protecionista por posições em prol de uma abertura econômica, que permitisse uma melhor inserção do Brasil no mercado internacional. Segundo, a crise fiscal dos anos oitenta (oriunda principalmente da inflação) que reduziu drasticamente a capacidade do Estado de fornecer isenções e subsídios à industrialização, ou de contribuir para o financiamento do investimento, o que evidenciou a inviabilidade da continuação de uma política de ISI. Nesse período, a poupança governamental passou de significativamente positiva para fortemente negativa: o Estado passou a ser um absorvedor de poupança privada, com conseqüente efeito negativo sobre o investimento e o crescimento. Terceiro, o problema do endividamento externo da década de 1980: uma combinação de aumento dos juros no mercado financeiro internacional (impactando de forma dramática o serviço da dívida externa) e de redução da oferta de capitais emprestáveis pelo exterior teve um efeito altamente negativo sobre a poupança externa.