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[HISTÓRIA MUNDIAL] Explique a posição brasileira na “questão espanhola” entre 1946 e…

📚 HISTÓRIA MUNDIAL
Pergunta
Explique a posição brasileira na "questão espanhola" entre 1946 e 1948.
Resposta

Explique a posição brasileira na “questão espanhola” entre 1946 e 1948.

O posicionamento do Brasil diante da “cuestión española” não diferiu da postura adotada em outras questões importantes discutidas na ONU, tendo o Itamaraty orientado a delegação brasileira a acompanhar os EUA nas votações sobre a Espanha entre 1946 e 1948.

O Brasil teve um papel importante diante da questão espanhola a partir do momento em que, juntamente a Austrália, Países Baixos, México e Polônia, passou a integrar o subcomitê especial criado em abril de 1946 para investigar a situação da Espanha.

A questão desdobrou-se em outras resoluções na ONU, como a de  12 de dezembro de 1946 , por 34 votos a favor, 6 contra e 13 abstenções, foi aprovada a resolução que excluiu a Espanha de todos os organismos internacionais, recomendando aos Estados membros que retirassem imediatamente de Madri seus embaixadores.18 O Brasil votou com a maioria pela aprovação da medida. O governo Dutra limitou-se a acatar a recomendação, abortando o envio de um embaixador e deixando um encarregado de negócios à frente da representação brasileira.

Em setembro de 1949, Leitão da Cunha anunciava à imprensa hispânica a nomeação de um novo embaixador brasileiro.40 A chegada
de Rubens Ferreira de Mello a Madri, em janeiro de 1950, foi noticiada por muitos jornais que mantinham vivo interesse em divulgar
a projeção espanhola no contexto internacional. Apesar dessa nomeação, o governo Dutra não pretendia alterar a postura discreta
que o Brasil sempre obtivera junto à ONU. No entendimento do governo brasileiro, sob a sua postura diante da questão espanhola não
deveria pairar qualquer denúncia de incoerência. O Brasil, ao seguir os EUA nas votações sobre a Espanha, pode ser incluído na categoria de países latino-americanos que, segundo Florentino Portero, “aceitavam a condenação do regime franquista, mas estavam poucos dispostos a tomar medidas efetivas contra ele.

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Aprofundando:

A Polônia, como porta-voz dos interesses soviéticos, defendia que o país ibérico constituía-se numa ameaça aos demais países pertencentes à Organização. Dentre os argumentos poloneses, estava o de que esse país dava guarida a refugiados nazistas, e o de que agentes da Gestapo estavam infiltrados e incorporados a Dirección General de Seguridad.

A argumentação polaca sofria a oposição do Brasil e dos Países Baixos, especialmente porque, na visão dos delegados desses
países, os fatos apresentados como provas não supunham que a Espanha representava uma ameaça. As orientações do Itamaraty para a sua delegação junto a esse subcomitê deixam evidente que havia uma preocupação em manter uma postura que fosse entendida como autônoma, mas ao mesmo tempo não desagradasse os norte-americanos e os britânicos. Os EUA e a Grã-Bretanha desejavam que o assunto saísse da alçada do Conselho de Segurança e fosse remetido para a Assembléia Geral. Em junho de 1946, o Ministério das Relações Exteriores orientou os membros brasileiros do subcomitê a proporem “discretamente e sem relevo público” uma fórmula conciliatória. As discordâncias entre os membros do comitê impossibilitaram o êxito do projeto de resolução polonês. Após meses de muita discussão, a posição britânica triunfou e a União Soviética teve que aceitar a impossibilidade de condenar a Espanha a partir do Conselho de Segurança. Na Assembléia Geral daquele ano a questão seria discutida, dando origem a uma resolução condenatória de caráter mais brando.