[HISTÓRIA MUNDIAL] Localize teoricamente o pensamento de Benjamin Constant, no que tange…
Localize teoricamente o pensamento de Benjamin Constant, no que tange aos extremos políticos da frança nos primeiros anos do século XIX.
De origem franco-suíço, como o fora o genebrino Jean-Jacques Rousseau, Benjamin Constant, nascido em Lausanne em 1767, fez sua carreira como político e como teórico do liberalismo em solo francês. Procurou encontrar uma solução que o distanciasse dos extremismos da democracia jacobina e do autoritarismo bonapartista, sem que implicasse na restauração da monarquia bourbônica, derrubada pela Revolução de 1789.
Aprofundando:
Constant ocupou um lugar estratégico na história do pensamento liberal europeu. Anterior a ele pairava a personalidade do barão de Montesquieu (autor do famoso ensaio L’Esprit des lois – O Espírito das Leis, de 1748), que fixou como máxima política a Doutrina dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), inspirada na monarquia constitucional britânica, enquanto a sua frente surgiu mais tarde Alexis de Tocqueville (autor de De la démocratie en Amérique – A Democracia na América, 1835), o aristocrata que entendeu, ainda que a contragosto, ser a democracia um fenômeno inevitável no destino da humanidade.
Os pensadores mais próximos a ele foram dois antagonistas: o conservador Edmund Burke, inimigo declarado da revolução de 1789, e o teórico anarquista William Godwin que celebrou o levante da população parisiense. Todavia, na época de Constant, o principal inimigo do liberalismo não era mais o Absolutismo, abatido pelo assalto à Bastilha e pelas campanhas de Napoleão Bonaparte, mas sim os desejos igualitários das multidões plebéias, despertadas pelos clarins de 1789 e pelo rufar dos tambores republicanos. E, claro, pelos Discursos de Jean-Jacques Rousseau.
Constant, que amadureceu teoricamente durante o período da Restauração na França (1815-1830), e que foi chamado por Emile Faguet como “o inventor do liberalismo”, tratou então de encontrar soluções constitucionais práticas para acomodar os desejos da sociedade nobiliárquica, que havia voltado ao poder e que queria continuar existindo, e a nova energia advinda das classes médias e burguesas que emergira da Revolução, mas que temiam os excessos dela.
Revelou-se um teórico da cautela, procurando fundir, ainda que criticamente, Rousseau com Montesquieu, quer dizer, articular o princípio da Vontade Geral com a Harmonia dos Poderes, a paixão popular com a racionalidade do estado sob o controle dos grandes.