O Brasil e as Coalizões Internacionais: Uma Análise Estratégica do G-20, IBAS e BRICS na Governança Global
I. Fundamentos da Estratégia Brasileira e a Ascensão do Sul Global
A. O Paradigma do Multilateralismo Contestatório Brasileiro
A política externa brasileira contemporânea é definida por uma busca incessante pela reforma da arquitetura de governança global, utilizando coalizões estratégicas para promover a multipolaridade e a representatividade das economias emergentes. A participação ativa do Brasil em múltiplos fóruns – nomeadamente o Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul (IBAS), o Grupo dos Vinte (G-20) e o BRICS – demonstra uma diplomacia de networking complexa, desenhada para maximizar a capacidade de interlocução do país e inserir pautas do Sul Global no centro do debate internacional [1].
O Brasil tem sido historicamente um defensor claro de uma ordem multipolar, entendida como um sistema que garante um diálogo aberto e minimiza a dependência de centros de poder tradicionais [1]. Esta postura é essencial para o objetivo maior de democratizar, legitimar e equilibrar a ordem internacional, conforme articulado em foros de concertação como o BRICS [2].
A estratégia brasileira não se limita a participar; ela é ambidestra e pragmática. Por um lado, o país utiliza o BRICS para engajar-se em um “multilateralismo contestatório” que desafia o status quo financeiro e político [3]. Por outro lado, a participação no G20, o principal fórum global de cooperação econômica internacional, é crucial para traduzir essas pautas contestatórias em consenso e diálogo Norte-Sul, conferindo-lhes legitimidade [4]. Ao presidir o G20 em 2024, o Brasil usou o fórum como uma plataforma de “apresentação de credenciais” para o governo, reforçando sua imagem como ator central na governança global [5]. Essa abordagem minimiza a percepção de alinhamento radical e fortalece o papel brasileiro como construtor de pontes entre blocos.
B. IBAS (Índia, Brasil, África do Sul): Gênese, Valores e Legado
O Fórum de Diálogo IBAS, embora muitas vezes ofuscado pelo BRICS, representa um antecedente crucial na evolução da Cooperação Sul-Sul e na formação de grupos de potências médias emergentes [7]. O IBAS foi construído sobre o compromisso com valores democráticos, o desenvolvimento social inclusivo e o multilateralismo [8].
Sua estrutura legal e institucional sólida permitiu uma estreita coordenação e cooperação em uma ampla gama de temas globais e regionais, notadamente em foros multilaterais como a ONU, o G20, o BRICS e a OMC [8]. Um legado institucional proeminente do IBAS é o Fundo IBAS, um mecanismo dedicado ao alívio da pobreza e da fome, que visa difundir a experiência de desenvolvimento social inclusivo dos três países [8].
A transição da ênfase diplomática brasileira do IBAS para o BRICS sinaliza uma priorização pragmática, onde o interesse geoeconômico e o poder de contestação contra a ordem financeira hegemônica superaram o alinhamento ideológico estrito (como o compartilhado entre democracias) [9]. No entanto, o legado social do IBAS, focado no desenvolvimento e combate à pobreza [8], encontrou continuidade e amplificação na agenda brasileira do G20 em 2024, especialmente com o lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza [10].
II. O G20 sob a Presidência Brasileira (2024): Legado de Justiça Social e Sustentabilidade
A presidência brasileira do G20 em 2024 foi marcada pela intenção de reorientar o principal fórum de cooperação econômica internacional para temas de justiça social e ambiental. O Brasil adotou o lema “Construindo um mundo justo e um planeta sustentável”, colocando a desigualdade, em todas as suas dimensões, no centro da agenda [11].
A. Inovação e Legitimidade Diplomática
O governo brasileiro buscou inovar nos processos do G20, buscando afastar-se de modelos anteriores mais centralizados [3]. Uma marca central foi o foco no processo participativo, culminando no G20 Social e na Cúpula Social realizada às vésperas da Cúpula de Líderes no Rio de Janeiro [12]. Esse esforço de inclusão buscou garantir a participação da sociedade civil e de entidades acadêmicas em grupos de engajamento (como o T20), com diretrizes de equidade de gênero, reforçando a prioridade brasileira de garantir a democracia e os direitos sociais [3].
A diplomacia brasileira conseguiu dar continuidade a pautas tradicionais do G20, como a estabilidade econômica e o fortalecimento do sistema financeiro internacional, ao mesmo tempo em que introduziu debates sobre a digitalização da economia e a regulação da Inteligência Artificial [6].
B. O Carro-Chefe Social e a Reforma Fiscal
O maior sucesso diplomático da presidência brasileira foi o lançamento da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza (AGCP) [13]. Esta iniciativa inovadora foi o carro-chefe da agenda, propondo acelerar os esforços para implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1 e 2 (Erradicação da Pobreza e Fome Zero) [15].
A AGCP se baseia na ampla e reconhecida experiência brasileira em políticas de redução da pobreza e transferência de renda, como o programa Bolsa Família [10]. A Aliança visa angariar recursos e conhecimentos, e sua aprovação na Cúpula de Líderes foi um sucesso, com a adesão de mais de 80 nações, organizações filantrópicas (incluindo a Fundação Bill & Melinda Gates e a Fundação Rockefeller) e bancos de desenvolvimento [15]. O sucesso da iniciativa consolida o Brasil como uma liderança ética e social dentro do Sul Global.
Outro ponto inédito e de grande impacto foi a inclusão da reforma fiscal global. A Declaração do Rio de Janeiro destacou o apoio à tributação progressiva e o compromisso de assegurar a tributação apropriada dos bilionários [11]. Conseguir gerar consenso sobre a taxação de grandes fortunas como forma de financiar as mudanças necessárias no cenário internacional demonstra que o Brasil utilizou o G20 não apenas para gerenciamento de crises, mas para promover uma mudança normativa no fórum, introduzindo a temática da justiça fiscal como um ponto incontornável na agenda global [6].
C. Governança Global, Transição Energética e a Declaração do Rio
A Declaração do Rio reafirmou o papel do G20 na cooperação e no apoio a países em desenvolvimento para alcançar os ODS [11]. Os líderes comprometeram-se com a reforma abrangente da governança global, o fortalecimento das Nações Unidas e a modernização da arquitetura financeira internacional [16].
Na área ambiental, o Brasil articulou uma forte sinergia entre o G20 e as negociações climáticas globais, promovendo a transição energética justa [6]. A Declaração do Rio incluiu apoio explícito à COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), que será sediada em Belém em 2025 [14]. Este alinhamento estratégico permitiu ao Brasil reforçar sua posição como mediador e proponente de soluções para a questão ambiental.
| Pilar da Agenda G20 Brasil (2024) | |||
|---|---|---|---|
| Iniciativa Principal | Resultado Chave (Declaração do Rio) | Implicação Estratégica | |
| Inclusão e Desigualdade | Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza | Lançamento e adesão de mais de 80 nações [10, 11] | Consolidação da liderança ética e social do Sul Global. |
| Governança Financeira | Tributação Internacional | Consenso sobre a tributação progressiva de bilionários [16] | Inclusão inédita de agenda fiscal progressiva na pauta global [6]. |
| Sustentabilidade e Clima | Transição Energética Justa | Reforço do compromisso com o clima e apoio político à COP30 [14] | Criação de sinergia entre os fóruns G20, BRICS e negociações climáticas. |
III. BRICS: Contrapeso Geopolítico, Reforma Financeira e a Presidência 2025
O BRICS é um foro de articulação político-diplomática e de cooperação essencial para a defesa da multipolaridade e para a concertação dos países do Sul Global [2]. O bloco funciona como um espaço contra-hegemônico, buscando alternativas ao modelo financeiro e político dominado pelas potências ocidentais [18].
A. Geopolítica da Expansão e Tensão Interna
O bloco passou por uma transformação significativa com sua segunda expansão. Na Cúpula de Joanesburgo em 2023, Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Irã e Emirados Árabes Unidos foram aceitos para ingressar em 2024. Posteriormente, em 2025, o Brasil anunciou a entrada da Indonésia como membro pleno [19]. Esta expansão, que inclui importantes atores geopolíticos e energéticos, aumenta a relevância do bloco na arena mundial.
Entretanto, a expansão gerou tensões internas, especialmente em relação a critérios de adesão. A diplomacia brasileira adotou uma posição cautelosa (e, na prática, de veto) em relação à entrada da Venezuela em 2024 [20]. O Brasil argumentou que a discussão deveria focar em critérios de adesão em vez de endossos individuais, buscando proteger o peso regional brasileiro e garantir que a expansão não seja vista como uma imposição geopolítica de outros membros [20]. Essa resistência provocou uma nota de crítica da chancelaria venezuelana, que acusou o Brasil de “agressão” [22]. A insistência do Brasil em critérios reflete a necessidade de o grupo gerenciar a complexidade da BRICS+, que já viu a saída da Argentina após a posse do Presidente Javier Milei [19].
B. O Pilar Financeiro: NDB, Moedas Locais e o Desafio a Bretton Woods
O BRICS tem como objetivo primordial reformar a arquitetura financeira global. Os membros do bloco pedem a reforma urgente do legado de Bretton Woods e das Instituições Financeiras Internacionais (IFIs) como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, defendendo uma governança mais justa e maior representação para as economias emergentes [25].
O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) é a materialização desse objetivo, representando uma alternativa viável ao modelo financeiro tradicional [28]. O NDB se diferencia das IFIs por assentar sua governança na igualdade de voz e voto entre os membros, e por financiar projetos alinhados às prioridades nacionais sem impor condicionalidades rígidas [29]. Para o Brasil, o NDB já investiu cerca de $5.2 bilhões em 31 projetos, com foco significativo em transição energética (usinas solares e eólicas) [28]. Isso fortalece a segurança energética nacional e impulsiona o país na transição para uma economia de baixo carbono, garantindo um financiamento soberano para a agenda climática [29].
Adicionalmente, o BRICS busca ativamente aprofundar o comércio intra-bloco e promover a opção de comércio em moedas locais [1]. Esta é uma medida crucial para reduzir os custos de operações comerciais e financeiras e diminuir a vulnerabilidade do Sul Global ao domínio do dólar, sendo um passo no processo de desdolarização [18]. Embora o BRICS avance em sistemas de pagamento e discuta o futuro da ordem financeira internacional, ele evita a aventura de uma moeda única imediata, focando em plataformas financeiras digitais e no uso de divisas locais [33].
C. A Agenda de Cooperação da Presidência Brasileira (2025)
Em 2025, sob o lema “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável” [4], o Brasil preside o BRICS, com a Cúpula de Chefes de Estado agendada para julho no Rio de Janeiro [2].
A agenda brasileira delineada foca em:
- Reforma Financeira e Comércio: Aprimorar o sistema monetário e financeiro internacional, visando maior representatividade [35]. O BRICS 2025 chancela mecanismos tributários que combatem desigualdades, aproveitando a discussão lançada no G20 [37].
- Mudança do Clima e Transição Verde: O debate sobre a Transição Verde e a cooperação climática, incluindo taxonomia e mercado de carbono, serve como uma ponte direta para a COP30 em Belém no final do ano [37].
- Governança de Inteligência Artificial (IA): Uma pauta inovadora que aborda as profundas desigualdades globais no acesso e domínio da IA, os riscos da concentração tecnológica e a urgência de transferência de tecnologia para países do Sul [38]. O Brasil considera crucial combater o preconceito e a discriminação algorítmica, buscando garantir a soberania digital [35].
A inclusão da Governança de IA indica que a agenda contestatória do BRICS evoluiu da crítica puramente financeira para a crítica tecnológica. O Brasil reconhece que as novas dependências digitais exigem cooperação Sul-Sul para garantir o acesso equitativo à tecnologia, um fator essencial para o desenvolvimento sustentável.
IV. Análise Comparativa e o Nexo Estratégico Brasileiro
A diplomacia brasileira opera em um sistema de networking que utiliza as características distintas de cada coalizão para amplificar sua influência global. O IBAS, o BRICS e o G20 compartilham o objetivo comum de promover a representatividade e o multilateralismo, mas diferem significativamente em sua estrutura de poder e capacidade de contestação [7].
A. Convergências e Divergências de Agendas
A Reforma da Governança Global é o ponto de maior convergência. Todos os fóruns (IBAS, BRICS, G20) endossam a necessidade de modernizar a arquitetura multilateral, com o BRICS e o G20 clamando por uma reforma das IFIs e da ONU [7].
No entanto, o G20 atua como o principal fórum de diálogo onde economias avançadas e emergentes negociam em uma base igualitária [4]. Isso exige um foco maior no consenso e na gestão de crises (estabilidade econômica) [6]. Em contraste, o BRICS, especialmente após a expansão, é o mecanismo primário do Sul Global para uma abordagem mais assertiva e unificada [3]. O BRICS é um fórum onde o multilateralismo é contestado, permitindo que o Brasil e seus parceiros articulem pautas mais radicais em relação à ordem hegemônica [3].
B. O Efeito Multiplicador: G20 (2024) na Agenda BRICS (2025)
A sequência estratégica de presidências do Brasil (G20 em 2024 e BRICS em 2025) resultou em um capital diplomático considerável. A experiência de liderar o G20 proporcionou à diplomacia brasileira um “acúmulo de conhecimento, de experiência, de contatos, de capacidade de negociação e interlocução muito forte” [37].
O Brasil utilizou essa expertise como construtor de consenso para criar uma ponte direta entre as agendas [37]. Por exemplo, a discussão sobre financiamento climático, taxonomia e tributação de bilionários, impulsionada no G20, foi transferida para o Grupo de Trabalho de Finanças do BRICS em 2025 [37]. Isso garante que a agenda de justiça social promovida no G20 encontre um mecanismo de financiamento contestatório e independente (o NDB) dentro do BRICS, permitindo uma gestão integrada do eixo Norte-Sul e Sul-Sul.
A atuação brasileira demonstra que a sequência presidencial é uma estratégia deliberada para exercer influência máxima e garantir que os compromissos negociados em um fórum sejam apoiados e financiados pelas capacidades do outro.
| Coalizão | ||||
|---|---|---|---|---|
| Coalizão | Foco Principal (Brasil) | Parceria Chave (Cooperação) | Principal Contribuição Recente (2024/2025) | Ameaças/Limitações |
| IBAS | Valores e Desenvolvimento Social | Índia, África do Sul | Antecedente Histórico, Fundo de Cooperação Social [8] | Relevância política decrescente em comparação com o BRICS. |
| G20 | Governança Econômica Global (Norte-Sul) | G7 e Economias Emergentes | Lançamento da Aliança Global Contra a Fome; Tributação de Bilionários [10, 16] | Dificuldade em converter consenso em implementação devido a resistências de países avançados [6]. |
| BRICS | Reforma Multilateral e Financeira (Sul-Sul) | China, Rússia, BRICS+ | NDB, Impulso à Desdolarização, Agenda de IA e Transição Verde [28, 35] | Tensão geopolítica e desafios na integração e consenso dos novos membros [38]. |
V. Conclusões Estratégicas e Implicações Futuras
A participação do Brasil no G20, IBAS e BRICS revela uma política externa sofisticada, calibrada para navegar pelas tensões da ordem internacional. O país utiliza as coalizões para legitimar a contestação (via G20) e garantir o poder de barganha e o financiamento autônomo (via BRICS/NDB).
O BRICS 2025, sediado no Rio de Janeiro, com seu impacto econômico estimado em R$ 70 milhões para a cidade [36], será o palco para a consolidação de uma agenda que defende a união contra o unilateralismo e a transformação da cooperação global diante da emergência climática [39].
A. Reforma Financeira Cautelosa e Soberania
A busca por maior autonomia financeira, central para o BRICS, manifesta-se no avanço de mecanismos complementares ao sistema financeiro internacional [37]. Embora não se comprometa com uma moeda única imediata, o bloco demonstra uma tendência de longo prazo (2030–2035) em direção a um sistema híbrido que utiliza moedas locais e, potencialmente, ouro ou CBDCs (Moedas Digitais de Banco Central), visando substituir gradualmente o dólar em reservas estratégicas [32]. Esta é uma estratégia de cautela, buscando um ativo de segurança historicamente reconhecido (o ouro) para diversificar o risco financeiro e aumentar a liquidez dos mercados regionais [40]. O NDB se estabelece como a principal ferramenta para garantir financiamento soberano, especialmente em transição energética [28].
B. A Nova Frente de Cooperação: Tecnologia e Inclusão Digital
A inclusão da Governança de Inteligência Artificial como pilar da presidência BRICS 2025 demonstra o reconhecimento brasileiro de que a próxima fronteira da desigualdade global reside na esfera tecnológica [38]. O foco em soberania digital, proteção de dados e combate ao preconceito algorítmico sinaliza que o Brasil busca evitar a criação de novas dependências, exigindo a transferência de tecnologia para o Sul Global [35].
A capacidade do Brasil de gerar consenso sobre temas progressistas no G20 (tributação) e de utilizar o BRICS para avançar em agendas financeiras e tecnológicas complexas (NDB, IA, Moedas Locais) posiciona o país como um negociador fundamental na remodelação da governança global no século XXI. A diplomacia brasileira, ao integrar as agendas, garante que os esforços de combate à fome e de transição climática (legado G20/COP30) tenham sustentação política e mecanismos de financiamento independentes através da Cooperação Sul-Sul no BRICS.
C. Recomendações Estratégicas
Com base na análise da conjuntura, recomenda-se:
- Fortalecimento da Governança do NDB e Alinhamento Climático: O Brasil deve continuar a impulsionar o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) para aumentar o volume de financiamento verde e garantir que seus investimentos em transição energética e infraestrutura sustentável estejam diretamente alinhados com o legado da COP30. É crucial aprofundar a coordenação entre o NDB e o Acordo Contingente de Reservas (CRA) para oferecer uma estabilidade financeira robusta aos membros, maximizando a autonomia do Sul Global.
- Liderança na Governança Digital e Transferência de Tecnologia (BRICS): A agenda de Inteligência Artificial no BRICS deve ser complementada por um fundo ou programa dedicado à transferência de tecnologia Sul-Sul. A cooperação com a China, apontada como chave para fortalecer a parceria tecnológica [38], deve ser estratégica, visando não apenas o acesso, mas o domínio da tecnologia para garantir a soberania digital brasileira e reduzir as desigualdades globais no setor.