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Padrão de Resposta
A guerra no Iraque, financiada por aumento considerável no déficit público americano, pode realmente, como expressa a questão, reduzir o investimento em outros países. Para demonstrarmos a validade da assertiva, devemos partir da identidade macroeconômica fundamental: DA=RA.
A demanda agregada (DA) é composta por gastos em consumo (C), investimentos (I), gastos do governo (G) e exportações (X). A renda agregada (RA) é a soma dos gastos em consumo, da poupança privada (Sp), dos gastos com impostos (T) e das importações (M).
Igualando as duas equações, temos que:
(G-T) = (Sp – I) + (M – X)
1 2 3
O déficit público americano (1) deve ser financiado por aumento proporcional da poupança privada ou do déficit externo (3, que é a poupança externa). O aumento da poupança externa para financiar incremento do déficit público americano significa que países outros estão transferindo poupança para sustentar o esforço de guerra dos EUA. A questão está correta em ressaltar que o déficit pode ser financiado por poupança externa, já que um incremento na poupança privada seria outra opção.
Do ponto de vista dos outros países, temos que, partindo da igualdade DA=RA, o investimento pode ser traduzido na seguinte fórmula:
I = Sp + (T – G) + (M – X)
Sg Se
Ora, se a poupança externa desses países diminui (pois estão financiando o esforço de guerra dos EUA), haverá redução no nível de investimento, caso não haja compensação pela poupança do governo ou privada.
De Gaulle, em meados da década de 60, insistia na criação de outra moeda (que não o dólar) de reserva internacional. Argumentava que a França estava, involuntariamente, financiando a política externa dos EUA no Vietnã. Teve sucesso pequeno, com a criação dos SDR (“ Special Drawing Rights”) pelo FMI, moeda de importância secundária, com baixa liquidez. O que será que pensam, hoje, os altos dirigentes dos países asiáticos? E quais serão as conseqüências de um provável fortalecimento do euro?