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Padrão de Resposta
A balança de pagamentos é o instrumento utilizado para medir a entrada e a saída de divisas de um país relativas a transações entre agentes econômicos residentes e não residentes. Na Balança Comercial, uma das contas nas quais pode ser dividida a Balança de Pagamentos, registram-se as importações e exportações de mercadorias realizadas pelo país cujo pagamento faz-se mediante moeda com liquidez e aceitação internacionais.
Déficits na Balança Comerciais significam importações (M) maiores que exportações (X), ou M – X>0. Considerando que a Conta Capital tenha-se mantido estável, ou com saldo igual a zero, a taxa de câmbio, preço da divisa no mercado interno, sofrerá uma tendência à elevação, uma vez que a demanda por divisas por parte dos importadores supera sua oferta por parte dos exportadores. Essa tendência depende do regime do câmbio para se materializar.
a) Sob um regime de câmbio fixo, a tendência à elevação da taxa de câmbio é detida pela autoridade monetária, comumente o Banco Central, que ofertará as divisas demandadas pelo mercado de forma a conter a elevação da taxa de câmbio, ou seja, a depreciação da moeda. Para tanto, a autoridade monetária deverá valer-se de suas reservas internacionais, ocasionando uma baixa de seu estoque. Caso os déficits tornem-se constantes, será necessário elevar a taxa de juros interna, admitindo-se que haja alta mobilidade de capitais, de modo a atrair divisas na forma de capital externo.
O aumento das taxas de juros é produzido por uma política monetária contracionista que reduzirá ainda mais o nível de atividade interna (demanda, renda e produto agregados). Com isso, espera-se que a demanda por importações seja contida e que o equilíbrio da Balança Comercial seja restabelecido.
b) No que tange do regime de câmbio flutuante, a tendência à elevação da taxa de câmbio materializa-se e a moeda é depreciada, sem que haja intervenção direta da autoridade monetária e não provocando alterações no estoque de reservas internacionais.
O ajuste, neste caso, é feito pelo próprio mercado: a moeda nacional desvalorizada faz as exportações mais competitivas internacionalmente, ao mesmo tempo em que torna as importações menos acessíveis.
Cumpre salientar que o regime de câmbio flexível também apresenta desvantagens, sobretudo no que se refere à potencial desvalorização constante da moeda nacional, podendo provocar, entre outros efeitos, perda da credibilidade da moeda, aumento do custo de importações preço-ineslásticas e, como conseqüência, inflação.