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Padrão de Resposta
O resultado primário é constituído das receitas do setor público menos as suas despesas (sem incluir aqui despesas com pagamento de juros). Ao incluirmos nessa conta os gastos com pagamento de juros, chegamos ao resultado nominal do orçamento. Este será superavitário quando as receitas superarem as despesas, e deficitário quando ocorrer o contrário. Neste último caso, o governo terá de cobrir esse déficit tomando emprestado junto ao público e aumentando assim o montante da dívida pública.
A proposta de retirar o investimento público do cálculo do resultado primário tem como objetivo aumentar os gastos governamentais no setor de infra-estrutura, que atualmente encontram-se em regime de contenção face à necessidade de o país cumprir a meta de superávit primário acordada com o FMI. No entanto, este aumento de gastos seria, de qualquer forma, registrado no resultado nominal das contas públicas, aumentando o déficit nominal do país (ou diminuindo seu superávit nominal, o que é raro no Brasil).
Por sua vez, o déficit nominal é um dos indicadores que os investidores consideram no momento de emprestar ao setor público. Estando ele em trajetória de alta, devido ao aumento do investimento público, os investidores passam a exigir taxas de juros mais altas, devido ao risco maior de se financiar o setor público. Como conseqüência, a evolução da dívida pública no Brasil se dará no sentido de alta.