×
Padrão de Resposta
Na Microeconomia, a teoria do consumidor estabelece que a decisão de consumo tem como objetivo maximizar sua utilidade – ‘satisfação’ – dada certa restrição orçamentária. Ele escolherá a cesta de bens de consumo conforme suas preferências.
Ocorre que, enquanto os padrões de consumo são ‘dinâmicos’ (mudam com o tempo, variam entre classes sociais, alteram as escolhas do consumidor), os índices de preço oficiais são relativamente ‘estáticos’: não é viável atualizar-se constantemente os indicadores de inflação e as cestas de bens que os compõem na mesma velocidade em que mudam os padrões de consumo. As escolhas dos consumidores mudam com as inovações tecnológicas (ex: DVDs) ou até mesmo com as dietas (ex: menor consumo de açúcar).
Com isso, o custo de vida verdadeiro pode diferir significativamente daquele mensurado pelos indicadores oficiais, conforme varia o padrão de consumo de cada brasileiro. Quanto maior a rapidez da mudança de comportamento do consumidor, maior deverá ser a discrepância entre o custo de vida ‘verdadeiro’ e o ‘oficial’.
No exemplo do enunciado, como os aparelhos de DVDs não estão incluídos na cesta dos bens que compõem a medição do custo de vida, a medida oficial tende a ser maior que o custo de vida do cidadão que consome aparelhos de DVDs (pois eles apresentam queda de preço, o que significa queda no custo de vida de seus consumidores). A predominância de produtos ‘tradicionais’, na composição da cesta de produtos que mede o custo de vida oficial, contribui para aumentar a diferença com a realidade à medida que bens de maior conteúdo tecnológico (inovações resultam em ganhos de produtividade e queda nos custos de produção) vão constituindo parte mais significativa da cesta de consumo real dos brasileiros.
Na medida do possível, os indicadores oficiais precisam ser atualizados para serem mais representativos da realidade.