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Na passagem do século XIX para o século XX, manteve-se política cambial para proteger a renda dos cafeicultores. Segundo Celso Furtado, a importância dessa política não se restringe ao benefício de um setor empresarial, pois garantiu o desenvolvimento e expansão da economia monetária.
Na virada do século, o mercado internacional de café tinha elevada oferta do produto (e, em constante expansão) e passava a haver queda do preço do produto. Ademais, por ser um produto com baixa elasticidade preço de demanda – isto é, a queda no preço provocava um aumento menos que proporcional da quantidade demandada -, havia uma queda da receita percebida em moeda internacional.
Nessas circunstâncias, buscou-se na política de desvalorização cambial reduzir os prejuízos sofridos pelo setor cafeeiro. A desvalorização cambial implica que cada unidade de moeda estrangeira corresponde a número maior de moeda nacional. Assim, o exportador de café, embora sofresse algum prejuízo com a queda do preço internacional (Furtado escreve que perda seria de 40%, mas, com a intervenção, passa a ser de 10%), mantinha o poder de consumo interno e, mais importante, mantinha o nível de emprego doméstico e o consumo.
Essa política de desvalorização cambial, conquanto tenha sido benéfica ao setor de exportação, foi prejudicial para as camadas médias urbanas. Por um lado, muito dependentes de bens importados, sofreram perda real do poder de consumo. Por outro, o excesso de oferta de moeda provocou a inflação dos preços domésticos. Esses setores sofreram perda real de renda.
Deve-se ressaltar, também, que essa política foi mantida mediante seguidos pedidos de empréstimos internacionais. Em 1906, com a Convenção de Taubaté, assumia-se a política de valorização de café mediante a qual o Estado compraria o excedente e, no momento de crise de produção, este seria vendido. Embora previsto o controle sobre a produção, este nunca foi implementado e os momentos de super-produção eram mais freqüentes do que os de quebra de safra. A política de desvalorização cambial aliada aos seguidos empréstimos provocava a impossibilidade de pagamento da dívida, assumia-se, então, novo empréstimo, este, agora, de consolidação da dívida e a juros mais altos.
Esse sistema funcionou enquanto existia liquidez internacional. A crise de 1929 reduziu abruptamente a oferta de créditos internacionais e implicou, no Brasil, a fuga de capitais. O fim da liquidez impôs ao Brasil o fim da política de valorização do café. Já, no governo Vargas, adota-se política anti-cíclica mediante política de preços mínimos para o café.
Assim, a política de desvalorização cambial, embora voltada para atender um grupo econômico, garantiu a expansão da economia monetária e menor expressão da economia de subsistência. Essa política insustentável no longo prazo ao promover crescente endividamento sofreu duro golpe com o fim da liquidez internacional. A crise de 1929 impõe o seu abandono.