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Padrão de Resposta
Historiadores descrevem o Brasil de 1906 como uma república oligárquica, regida pelos interesses das elites proeminentes dos principais estados do país. Em princípios do século XX, as elites políticas nacionais estavam intimamente ligadas à produção cafeeira, e dela retiravam seu poder econômico e político.
Segundo Celso Furtado, com o declínio do ciclo do ouro, a economia brasileira entrou em uma fase de estagnação da qual só sairia com o surgimento da produção cafeeira, por volta de 1830. O café tornou-se o principal produto da economia nacional, que tinha seu dínamo no exterior, dependendo a economia das rendas advindas da exportação. Em princípios do século XX, a produção brasileira de café crescia vertiginosamente, dado que devido à falta de oportunidades para diversificação econômica, as rendas do café eram reinvestidas na produção. O excesso de oferta do produto no mercado mundial comprimia seus preços, diminuindo a renda do Brasil.
O acordo de Taubaté, de 1906, foi realizado para que essa situação fosse combatida. Tratava-se de uma política de valorização do café baseada na compra e estocagem dos excedentes de produção. A compra do café foi financiada por meio de novos empréstimos contraídos no exterior pelos estados e garantidos pelo governo federal (operação permitida pela Constituição de 1891). Instituiu-se também um novo imposto sobre cada saca de café exportada, de modo a ser possível financiar o serviço da dívida e garantir novos empréstimos. Por fim, o acordo de Taubaté estipulou que os estados evitariam a expansão e o surgimento de novas plantações, para que o incremento da oferta não derrubasse ainda mais os preços.
Pode-se dizer que o sucesso do mecanismo de defesa do café foi também sua ruína. Ao lograr êxito na manutenção dos preços internacionais do produto, o acordo de Taubaté estimulou um aumento ainda maior da oferta. Os lucros continuavam a ser reinvestidos na produção e os estados não conseguiam conter o surgimento de novas lavouras, o que levava a uma constante expansão da oferta e à conseqüente queda dos preços. A crise de 1929, no entanto, determinou o fim da liquidez mundial, impossibilitando ao Brasil o financiamento externo de seu mecanismo de proteção do café, determinando o fim do compromisso pactuado em Taubaté.