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Padrão de Resposta
a) O PIB (Y) pode ser definido pela ótica do dispêndio de acordo com a equação seguinte: Y = C + G + I + Nx, em que C se refere ao consumo das famílias, G aos gastos do governo, I aos investimentos das empresas e Nx às exportações líquidas do país. Por essa visão, analisa-se como cada agente econômico despende sua renda. Os gastos totais da economia devem corresponder ao PIB, produto total dessa mesma economia. Dada sua facilidade de cálculo, essa é a metodologia mais utilizada.
b) A inversão nos saldos comerciais reflete momentos econômicos distintos no Brasil. Na década de 1970, o País vivia o “Milagre Econômico” e, mesmo após o primeiro choque do petróleo, continuou a crescer a elevadas taxas. O Brasil presenciava a implantação do modelo de industrialização por substituição de importações, havendo grande necessidade de importar máquinas e equipamentos industriais. Logo, as importações eram expressivas. Elas aumentaram ainda mais com o choque do petróleo, uma vez que a economia nacional era altamente dependente de mercados externos para a obtenção desse recurso natural. Já com relação às exportações, o Brasil buscava ampliar mercado e alterar a pauta de exportação, o que de fato ocorreu, embora não de maneira significativa, pois os produtos importados possuíam ainda maior valor agregado. Portanto, nesse período, verifica-se déficit na balança comercial.
Tal quadro era possível devido aos saldos positivos na conta de capitais. A alta liquidez mundial, o crescimento interno e as elevadas taxas de juros estimulavam a entrada de divisas por meio do endividamento externo, fato que mantinha a balança de pagamentos em equilíbrio.
Já na década seguinte, houve grave crise econômica. A elevação dos juros internacionais, conjugada à queda da liquidez, causou problemas de insolvência em países cuja dívida externa era expressiva, de forma a inverter a conta de capitais. Para arcar com o endividamento externo, era preciso aumentar a entrada de divisas, o que se fez por meio da promoção de exportações. O governo concedia créditos e incentivava a exportação com a finalidade de tornar a balança comercial superavitária. Além disso, o baixo crescimento interno, devido à recessão, facilitou essa política, diminuindo a demanda por importados e elevando os excedentes exportáveis.
Por fim, deve-se citar a maxidesvalorização ocorrida ao final da década de 1970, a qual aumentou a competitividade do País no exterior, incrementando as exportações. Por esses motivos, nota-se superávit comercial no período.
c) A evolução da BC e das TC nesse período revela o comportamento crescente dos déficits em conta de serviço e de renda. Dado que as transferências unilaterais são positivas, porém pouco relevantes quantitativamente, serão desconsideradas na análise.
A balança comercial, apesar da elevação e do superávit, não se refletiu nas transações correntes, que se manteve deficitária. O déficit da conta de serviços e de renda foi em torno de 1,8%, 3,1%, 5,1% e 5% respectivamente aos períodos considerados. São dois os principais fatores explicativos de tal quadro. O primeiro é a industrialização crescente da economia brasileira por meio da presença de multinacionais. Os lucros e royalties auferidos contribuíam para a saída de divisas na conta de rendas.
Adicionalmente, na década de 1970, os empréstimos estrangeiros se elevaram sobremaneira. Esse fato fez que, na década seguinte, o serviço da dívida fosse parte expressiva do déficit na conta de rendas, mantendo o déficit em transações correntes a despeito do superávit na balança comercial. Além disso, as altas nos juros internacionais agravaram esse cenário. Logo, nota-se como a elevação da entrada de divisas na conta de capital na década de 1970 promoveu déficits em renda, principalmente no período subseqüente.
d) Em relação ao crescimento econômico, a deterioração no balanço de pagamentos reduziu o crescimento do País, causando a recessão da década de 1980. Na década anterior, o consumo e o investimento puderam-se manter elevados, devido à entrada de capitais na conta de capital. Entretanto, na década de 1980, houve recessão decorrente dos desequilíbrios já citados, o que contraiu o consumo e o investimento internos. Nota-se que em todo o período, o Brasil manteve-se como importador de poupança externa, o que viabilizou os investimentos, a despeito da baixa taxa de poupança interna. Somente com a redução do déficit em transações correntes ao final da década de 1980, pôde o Brasil voltar a crescer, embora a taxas muito mais modestas, retomando seu equilíbrio nas contas externas.