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Padrão de Resposta
O período entre 1900 e 1913 foi de grande prosperidade para o Brasil, após o período de desestruturação da primeira década da República. Nessa década, na tentativa de sanar o problema da falta de meio circulante derivado do fim da escravidão, promoveu-se a expansão da emissão monetária que levou à chamada crise do encilhamento. O governo Campos Salles, em 1898, foi responsável pela estabilização da economia, graças à obtenção do funding loan com a casa Rotschild e a políticas de austeridade e contração da economia. O ajuste promovido por Campos Salles foi importante para permitir o crescimento econômico da primeira década do século XX.
Fatores externos foram determinantes para esse período de expansão da economia brasileira. Um deles foi o próprio funding loan de 1898, que permitiu uma situação favorável no balanço de pagamentos durante o período, até 1913 e o começo da I Guerra Mundial. Com o ajuste promovido pelo governo Campos Salles e com o fundind loan, o país teve um importante crescimento da entrada de capitais, graças ao momento de expansão econômica vivido na Europa (Belle Époque na França, expansão na Inglaterra e na Alemanha). Esse bom momento da economia mundial, aliado ao novo momento da indústria nos países centrais, ajudou o Brasil também na balança comercial, pois mesmo que o preço do café não fosse favorável, as exportações de borracha tiveram grande expansão, permitindo o alívio na balança comercial.
O bom momento do setor externo, com abundância de capitais estrangeiros levou o Brasil a, em 1906, adotar o padrão-ouro, seguindo o formato de política econômica dos países centrais (que tinha grande sucesso então). O Brasil fez isso por meio da criação da Caixa de Conversão – baseada na experiência recente da Argentina. No mesmo ano de 1906, tem destaque a realização do Convênio de Taubaté, que definiu que o governo promoveria a compra dos excedentes de café para manter os preços por meio de empréstimos externos e que faria um imposto em ouro sobre o café exportado para pagar o serviço das dívidas, além de determinar que os Estados buscassem desincentivar a produção cafeeira. A realização do acordado em Taubaté, assim, foi muito facilitada pelo bom momento internacional, na medida em que havia abundância de capitais, o que permitiu o sucesso das políticas de valorização do café, que contribuíram para a expansão econômica já no final da década.
A adoção do padrão-ouro pelo Brasil fez que o país ficasse ainda mais atrelado à situação do setor externo. Nesse momento de abundância da entrada de divisas (tanto pelo comércio quanto por empréstimos e investimentos), a existência da Caixa de Conversão foi fundamental para que isso se refletisse em expansão monetária, na medida em que a oferta de moeda estava atrelada às reservas em ouro do país. Dessa forma, a abundância de capitais numa situação de padrão-ouro levou a um abandono, ainda mais evidente do que primeira metade da década, das políticas restritivas de Campos Salles.
A adoção do padrão-ouro no Brasil, assim como em outros países periféricos, mostrou-se problemática no final do período em discussão, assim como na segunda tentativa, no governo de Washington Luiz. Isso porque, ao contrário do que ocorria nos países centrais, nos países periféricos a conta de capitais tinha um comportamento prócíclico, ou seja, quando havia uma redução do superávit comercial, os capitais também escasseavam, levando à perda rápida de reservas. Esse processo ocorreu no Brasil e contribuiu para o momento recessivo vivido pelo país concomitantemente ao início da I Guerra Mundial.
A evolução da economia do Brasil no período 1900-1913 teve impacto importante na criação de condições para a expansão da indústria no país durante a I Guerra. Entre os fatores em que esse período contribuiu pode-se citar a acumulação de capital possibilitada pela expansão da economia e pela entrada de capitais. A abundância de capitais, aliada à política monetária menos restritiva permitiram, também, juntamente com a maior capacidade de importação, a entrada de máquinas e a instalação de capacidade na indústria (ainda muito incipiente), que seria usada durante a I Guerra Mundial em razão da dificuldade de importar. Outros fatores, como o crescimento das cidades, a imigração e o crescimento de atividades relacionadas à economia do café, como as bancárias e as de comércio exterior, também podem ser citados como importantes para o crescimento da indústria durante a I Guerra Mundial.
A chamada Era de Ouro do Brasil no início do século XX, assim, foi fortemente influenciada pelo setor externo, o eixo dinâmico da economia, que beneficiou-se do bom momento da economia mundial de então e ajudou a criar condições para o surto industrial da I Guerra.