×
Padrão de Resposta
Considerando-se o mercado de fundos emprestáveis, pode-se dizer que o aumento do gasto público fará com que o governo dispute com o setor privado a oferta de financiamentos, levando a um aumento da demanda pelos mesmos, tudo mais constante. Em consequência, elevar-se-ão os juros. Em outras palavras, considerando-se que não há expansão da oferta de fundos emprestáveis, a demanda por esses fundos será expandida, elevando os juros. Essa é uma forma plausível de explicar a elevação dos juros devido aos gastos do governo, mas não é a única. Se considerarmos que o governo está financiando seus gastos não por meio da captação de recursos no mercado de fundos emprestáveis, mas sim consumindo sua poupança (Sg), que faz parte da poupança bruta doméstica, ocorrerá uma retração da oferta de fundos emprestáveis e, tudo mais constante, elevação dos juros. São duas formas de explicar um mesmo fenômeno, a elevação dos juros em razão dos gastos do governo. Esse fenômeno integra a análise da dominância fiscal, conforme observa Gustavo Franco, que assevera que os gastos públicos elevados acabam sendo preponderantes para o estabelecimento de um patamar elevado da taxa básica de juros da economia.
O aumento dos gastos públicos e, como consequência, dos juros tem impacto sobre o produto de equilíbrio via efeito “crowding-out” (efeito deslocamento) e efeito multiplicador. Inicialmente, os gastos do governo têm um impacto sobre o PIB via efeito multiplicador, dada a determinada taxa de propensão marginal a consumir. Por outro lado, o aumento dos juros levará a uma retração da demanda agregada (efeito deslocamento). Com efeito, juros elevados desestimularão o consumo das famílias, o investimento por parte das empresas e, em se tratando de economia sob regime de câmbio flutuante, levarão a uma queda das exportações líquidas. Nesse último aspecto, vale fazer maiores esclarecimentos. O aumento da taxa de juros, ultrapassando a taxa internacional de juros somada ao prêmio de risco (considerando-se a paridade de juros coberta), atrairá capital externo, elevando a taxa de câmbio nominal (apreciação da moeda), o que desestimulará as exportações e estimulará as importações. Diga-se ainda que uma retração ou expansão do produto de equilíbrio dependerá de qual efeito será preponderante, o efeito multiplicador ou o efeito deslocamento.
Por fim, deve-se observar que o aumento dos gastos públicos em regime de câmbio fixo tem outros efeitos. Costuma-se dizer que uma política fiscal expansionista em regime de câmbio fixo tem eficácia plena. Isso porque o aumento dos gastos do governo com consequente aumento da taxa de juros interna ocasionará influxo de capitais externos, forçando a autoridade monetária a expandir a oferta monetária, via política monetária expansionista, para evitar a valorização da moeda nacional. O aumento da oferta monetária causará aumento da demanda agregada, a qual já havia sido expandida inicialmente com o aumento dos gastos do governo.