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A taxa de poupança de uma economia é um indicador absolutamente fundamental em relação à capacidade de crescimento de longo prazo, haja vista que ela se relaciona de modo direto com a taxa de investimentos (S = I), e é a taxa de investimentos que pode afetar as condicionantes de longo prazo capazes de deslocar a oferta agregada. A poupança canalizada para investimentos aumenta os estoques de capital físico (bens e equipamentos), capital humano (qualificação dos trabalhadores) e o grau tecnológico de uma economia, portanto, incide diretamente sobre a produtividade da mesma.
Primeiramente, cabe breve explanação sobre a composição da poupança nacional, que pode ser representada pela equação S = Sp + Sg + Sext, ou seja, poupança das empresas e famílias (Sp), poupança do governo (Sg) e poupança externa (Sext).
Como é normal em economias em desenvolvimento, o Brasil é um país importador de poupança, haja vista seu déficit em transações correntes (Sext = – Stc). Importar poupança não é, per se, um problema, desde que se atente para o fato de que essa poupança pode tornar-se volátil em virtude de dinâmicas da economia internacional. Estimase que cerca de 2,5% da poupança brasileira seja importada, nível considerado satisfatório.
No que concerne à poupança de famílias e empresas, essas respondem a algumas variáveis. No caso das famílias, pode-se afirmar que a estrutura previdenciária brasileira, apesar de seus inúmeros problemas, constitui um desestímulo à poupança, pois confere algum grau de proteção aos agentes, desestimulando a transferência de poder de compra para o futuro. O recente crescimento econômico brasileiro, de modo parcialmente inédito, incluiu ganho real de renda para as camadas mais pobres da população. Nesses segmentos, prevalece a propensão marginal ao consumo, na medida em que as pessoas querem acesso mais imediatista a alimentos, serviços e bens dos quais eram privados anteriormente, fato que contribui para a queda da taxa de poupança nacional. Quanto às empresas, suas decisões de poupança e investimento se relacionam diretamente com expectativas de retorno e o estado futuro da atividade econômica.
O governo é parte absolutamente essencial da composição da taxa de poupança, pois ele é ofertante, mas, se opera com déficit fiscal, demandará recursos no mercado de fundos emprestáveis, podendo causar elevação dos juros e crowding out dos investidores. Desde a gestão Armínio Fraga, o Governo brasileiro pauta-se por uma política de manutenção de superávit primário como um de seus pilares macroeconômicos (ao lado das metas de inflação e do câmbio flutuante).
A cultura inflacionária engendrada ao longo de décadas na economia brasileira também desestimula a poupança, na medida em que a inflação corrói os retornos a serem auferidos. Embora a inflação esteja sob controle há mais de uma década, essa cultura inflacionária ainda permeia o comportamento dos agentes.
Estima-se que para que o Brasil possa manter uma trajetória estável de crescimento do PIB da ordem de 4% a 5%, a taxa de poupança nacional terá de voltar aos índices observados entre 1970 e 1993, ou seja, aproximadamente 25%. A título de comparação, a taxa de poupança nacional chinesa supera os 40% do PIB.