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A taxa de câmbio é o preço da moeda nacional em relação a uma moeda estrangeira, em geral o dólar. Em um contexto de câmbio flexível, modificações nessa taxa refletem alterações na oferta e na demanda do mercado de divisas. Se a oferta de dólares aumenta, por exemplo com a entrada de capitais externos, o aumento das exportações ou a venda de divisas pelo Banco Central, o real tende a valorizar-se. Se a oferta de dólares diminui ou a demanda por dólares aumenta, o real se desvaloriza. Diversos fatores externos e internos têm influenciado essa dinâmica.
No que se refere a fatores externos, a liquidez internacional, é elemento importante. As políticas monetárias expansionistas que os países desenvolvidos têm empregado para lidar com a crise, como o quantitative easing dos Estados Unidos, geram grande entrada de dólares em emergentes como o Brasil, o que a Presidente Dilma Rousseff chamou “tsunami monetário”. Essa entrada de dólares causa valorização cambial. A reversão dessas políticas expansionistas, ou a simples expectativa de reversão, como ocorreu em meados de 2013 em relação ao programa do FED dos EUA, gera efeito contrário.
Outro elemento são os juros internacionais, mantidos em patamares baixos por causa das políticas monetárias expansionistas. Em cenário de livre mobilidade de capitais, os capitais migram para países com taxas de juros mais altas, como o Brasil, valorizando a moeda nacional.
Os termos de troca, por sua vez, influenciam o mercado de divisas por causa do aumentou ou diminuição do valor das exportações líquidas. Nos anos 2000, os termos de troca evoluíram favoravelmente ao Brasil, sobretudo pelo alto crescimento da China e sua forte demanda por commodities exportadas pelo Brasil. A consequente alta do preço dessas commodities possibilitou grandes superávits na balança comercial brasileira, aumentando a oferta de dólares e favorecendo a valorização cambial. Recentemente, ocorre, contudo, certa redução do crescimento e da demanda da China, o que pode gerar efeito contrário ao já mencionado, com desvalorização cambial do real.
O fluxo de capitais externos é grande elemento modificador do mercado de divisas. A atração de capitais para países com juros maiores que os internacionais, estabilidade macroeconômica e baixo risco de investimento gera valorização do câmbio. É o caso do Brasil, ainda que recentemente uma agência de rating tenha aumentado o nível de risco brasileiro.
Em relação a fatores domésticos, a poupança doméstica, a política fiscal e a inflação são elementos importantes para a apreciação do real. A poupança doméstica brasileira, em torno de 15% do PIB, não é suficiente para financiar os investimentos do país. Dada a igualdade entre poupança e investimento, é necessário recorrer à poupança externa, que se materializa em déficits em transações correntes. Para financiá-los é necessário que a conta capital e financeira seja positiva, o que é favorecido pelo aumento de juros. Esses juros altos atraem capital externo, valorizando a moeda nacional.
A política fiscal do governo, em regime de câmbio flutuante, tende a apreciar o câmbio, quando há aumento de gastos ou déficit público. Isso ocorre porque, ao aumentar os gastos ou o déficit, o governo age no mercado de fundos emprestáveis, seja diminuindo a oferta de fundos caso se financie com a própria poupança, seja aumentando a demanda por fundos e concorrendo com agentes privados, o que aumenta a taxa de juros. O aumento de juros atrai capital externo e valoriza o câmbio. Ainda que o governo brasileiro tenha atingido a meta de superávit primário, gastos em investimentos podem ter esse efeito.
Por fim, a inflação pode ser uma causa de apreciação cambial. A recente alta dos preços internos, por fatores como o baixo desemprego, variações climáticas e a alta demanda, tem levado à realização de um ciclo de aperto monetário. A taxa SELIC tem sido aumentada, o que atrai capitais, valorizando o câmbio.
Diversos fatores agem simultaneamente sobre o câmbio brasileiro, sendo que a interação deles tem levado, principalmente, à valorização cambial nos últimos anos.