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O II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND) representou o ápice da industrialização substitutiva de importações. Os objetivos de Geisel e seu ministro Simonsen representaram a opção pelo crescimento com endividamento na esteira do primeiro choque do petróleo (1973). Para compensar a deterioração na balança comercial, devido às importações de petróleo (numa época em que o país dependia muito desse insumo), a gestão Geisel buscou atrair os petrodólares via empréstimos externos feitos sobretudo por estatais. Diz-se que o II PND, baseado em amplos investimentos em transportes, energia e telecomunicações, além de bens de capital, pôs a economia em marcha forçada, pois enquanto os países desenvolvidos adotavam o ajustamento via “mix” monetário e fiscal recessivo, o Brasil não quis sacrificar o nível de investimento, para avançar no PSI e reduzir a dependência externa.
O contexto de abertura política ajuda a explicar a opção de Geisel e Simonsen pela manutenção do crescimento via II PND. Após as altas taxas do Milagre Econômico (1968-73), a inflação começou a dar sinais de aumentar, assim o II PND visou conciliar crescimento e controle da inflação, com base na ampliação do produto potencial e no desenvolvimento do parque industrial. Nesse sentido, o papel das estatais destacou-se, pois ao mesmo tempo em que Simonsen visava controlar, em certa medida, o gasto público, fazendo política fiscal mais austera, as estatais ampliaram muito sua participação nos investimentos e no PIB. A política monetária do II PND, por vez, objetivou fornecer crédito e manter os juros domésticos baixos enquanto possível, estimulando a FBKF.
As consequências do II PND para o desempenho da economia brasileira podem ser divididas em três áreas: avanço do PSI com redução da dependência externa; alteração na pauta comercial com melhoria na qualidade dessas trocas; e complicações macroeconômicas decorrentes do aumento da inflação e do endividamento público a taxas flutuantes, em cenário de reversão negativa dos juros internacionais, após o segundo choque do petróleo. A maturação dos investimentos do II PND reduziu a dependência da indústria nacional em relação a insumos externos, consolidando o parque industrial brasileiro e o setor energético.
Do ponto de vista da economia no início dos anos 1980, o II PND legou a Figueiredo e Delfim Netto não apenas a redução dos gargalos infraestruturais, mas pauta de exportação mais composta de manufaturados e menos dependente da importação de insumos energéticos. A obtenção de superávits comerciais foi fundamental na década de 1980, na medida em que o Brasil precisou acomodar em saldos comerciais a elevação dos juros sobre a dívida pública, para tentar compensar as crescentes partidas na balança de rendas em contexto de menor liquidez internacional e asfixia cambial dos países periféricos. Após a crise entre 1981 e 1983, a recuperação contou com a balança comercial melhorada pelo II PND.
Entretanto, a redução da dependência externa foi seguida de maior vulnerabilidade externa, sobretudo após a grande elevação dos juros nos EUA (17% no auge da gestão de Paul Volker no Fed). A saída de capitais da periferia em direção ao centro foi uma questão monetário-financeira que as transformações estruturais do II PND não poderiam evitar. Ao contrário, o elevado endividamento decorrente desse plano acarretou a necessidade da maxidesvalorização cambial, feita por Delfim. Esta agravou o quadro inflacionário, que já sofria com pressões de demanda desde o fim do Milagre. A deterioração macroeconômica nos anos 1980, com a maior vulnerabilidade externa, foi a consequência indesejada do II PND.