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Padrão de Resposta
O ano de 2015 revela-se desafiador para a economia brasileira devido, entre outros fatores, às recentes alterações no mercado energético mundial (especialmente do petróleo) e às mudanças climáticas que prejudicam a matriz energética nacional, a produtividade média do país e a competitividade de suas exportações.
Desde 2014, os preços do petróleo, commodity fundamental para as exportações brasileiras e para o equilíbrio de seu Balanço de Pagamentos, têm caído vertiginosamente (de cerca de US$ 100 por barril Brent-Crude para cerca de US$50). Essa dinâmica teve dois impulsos: o início da exploração em grande quantidade do “shale oil” (derivado do folhelho do xisto betuminoso) nos EUA e a decisão da Arábia Saudita, mesmo contra certos parceiros da OPEP, de aumentar a exploração, para quebrar a concorrência norte-americana. O quadro de queda dos preços parece continuar, no médio prazo, e o FMI (World Economic Outlook 2015, “Adjusting to lower commodity prices”, de outubro) estima que o impacto dessa queda (- 46%, em 2015) impactará, negativamente, os grandes produtores de petróleo, como o Brasil (estimado a contrair o PIB, em 2015, em 3%, considerando, também, esse impacto).
Adicionalmente, as mudanças climáticas poderão ter implicações adversas significativas sobre a economia brasileira. Em primeiro lugar, elas poderão prejudicar a competitividade da economia nacional ao reduzir a produtividade média do trabalhador brasileiro, devido ao aumento e aos picos da temperatura mundial, em efeito que, conforme a The Economist Intelligence Unit, passa a ser cada vez mais reconhecido pelos economistas. Em segundo lugar, a mudança do clima, ao gerar secas (conforme observado no biênio 2014/2015), impacta fortemente na matriz energética nacional, que usou 74% da fonte hidrelétrica para a geração de eletricidade no país, em 2014, segundo o Balanço Energético Nacional de 2015. Segundo esse documento, houve redução, em anos consecutivos, da disponibilidade hídrica do Brasil, algo que tem sua contrapartida econômica na elevação dos preços da eletricidade e, por conseguinte, dos custos de produção da indústria, que é a principal consumidora de eletricidade no Brasil. Finalmente, a competitividade das exportações nacionais pode ser afetada, devido a elevações dos custos gerados pelas secas, que não somente afetam as safras agrícolas de exportação, como também suas rotas (como exemplifica a desativação da hidrovia Tietê-Paraná até 2016, importante modal de escoamento da soja brasileira do Paraná até o Porto de Santos, devido ao baixo nível das águas).
Frente a duas condicionalidades externas que, estima-se, permanecerão no médio a longo prazo, a economia brasileira deve se preparar para os efeitos deletérios da persistente queda do preço do petróleo e da mudança climática sobre uma economia que teve seu crescimento ancorado nas exportações de commodities e na abundância da hidroeletricidade. As recentes suspensões de projetos de exploração do “pré-sal” pela Petrobras e os reajustes, em 2015, das tarifas sobre eletricidade indicam que as alterações no cenário mundial já são sentidas no Brasil.