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Padrão de Resposta
O G-20, reunindo as 20 maiores economias do mundo, constituiu-se, em 1999, em nível ministerial, como fórum de discussões sobre os principais temas da agenda econômica mundial. Em 2008, quando se reuniu a primeira cúpula do grupo, na esteira da crise do subprime americano, o G-20 foi alçado à condição de instância privilegiada de coordenação econômica entre seus membros e de proposição de reformas da arquitetura financeira global. Muitas das medidas recomendadas pelo G-20 foram essenciais para o enfrentamento da crise iniciada em 2008 e têm por objetivo evitar que se repitam novos episódios de colapso da economia mundial.
As principais recomendações do G-20, desde 2008, dizem respeito ao fortalecimento da regulação e da supervisão do sistema financeiro internacional, bem como ao aumento da resiliência do sistema. Nesse sentido, os líderes do G-20, além de se comprometerem a não adotar políticas fiscais e monetárias que pudessem aprofundar as consequências da crise, instaram as principais economias do mundo a consolidarem a aplicação dos acordos de Basileia I e II e a avançarem na adoção do Acordo de Basileia III, todos assinados no âmbito do Bank of International Settlements (BIS). Tais acordos são de fundamental importância para a criação de resiliência, na medida em que estabelecem regulações para os sistemas bancários, definindo limites máximos de alavancagem, limites mínimos de liquidez considerados prudentes e desincentivos à formação de instituições financeiras excessivamente grandes. O G-20 também sugeriu que os governos nacionais adotassem regulações que coibissem os efeitos do uso indiscriminado de instrumentos financeiros como os derivativos e os CDOs e da excessiva alavancagem dos bancos comerciais.
No que se refere às instituições de Bretton Woods, os sucessivos comunicados do G-20 alertam para a urgente necessidade de reformas do FMI e do Banco Mundial, a fim de torná-los mais eficazes na tarefa de proverem liquidez aos países que enfrentam crises financeiras e recursos destinados a financiar projetos de desenvolvimento. Nesse sentido, os países do G-20 comprometeram-se a reformar o sistema de cotas e de votos das duas instituições, a fim de adequar o poder decisório de seus membros a seus respectivos pesos na economia mundial, devido à crescente importância que vêm assumindo os países em desenvolvimento. Cabe lembrar, por exemplo, que, por ocasião da crise, o Brasil, que anos antes quitara seus débitos com o FMI, ofereceu recursos adicionais à instituição, a fim de ampliar a liquidez do Fundo. Ressaltem-se também as sugestões de que outras moedas fossem consideradas na composição dos Direitos Especiais de Saque e de que os processos de escolha dos diretores e dirigentes do FMI e do Banco Mundial adotassem critérios mais transparentes e baseados na meritocracia.
Outras recomendações importantes do G-20 para o enfrentamento da crise financeira global foram no sentido de que todos os países evitassem a tentação de incorrerem em medidas protecionistas e unilaterais, como o aumento das barreiras comerciais e as desvalorizações cambiais competitivas.