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Padrão de Resposta
A condução das políticas econômicas nos governos militares possibilitou altas taxas de crescimento do PIB, mas conduziu o Brasil ao aumento de endividamento externo. Além disso, o índice de gini piorou, com elevada concentração de renda. A espiral inflacionária dos anos 1980 também encontrou sua gênese nas escolhas dos formuladores de políticas econômicas do regime militar. Nos anos 1960, buscou-se sanear as contas públicas e alinhar o país às melhores práticas .internacionais, por meio de instituições e reformas. O milagre econômico ensejaria euforia generalizada com níveis elevados de crescimento. Ocorre que, no governo Geisel, o contexto internacional havia mudado e a dívida externa assumiu trajetória insustentável.
As reformas econômicas realizadas no governo Castello Branco contribuíram para a restauração da confiança dos agentes econômicos no país e sanearam o desequilíbrio fiscal do governo. O Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG) adotou estrategia gradualista de combate à inflação e pautou-se pela ortodoxia. A Reforma Monetária, com a criação do Banco Central, centralizou a governança da política monetária e ampliou a previsibilidade e confiabilidade dessa política. Apesar disso, houve a instituição de mecanismos de indexação, que iriam provocar a inercialidade da inflação nos anos 1980. No campo fiscal, foi realizada reforma tributária, com a instituição de novos impostos, como o IPI. As ORTNs também ampliavam a capacidade arrecadatória do governo contribuindo para reduzir um pouco o desequilíbrio fiscal herdado do governo João Goulart. A situação política também se estabilizou, o que permitiu incremento nos ingressos de investimento estrangeiro direto.
A recuperação da confiança engendrada pelo PAEG e o contexto internacional favorável permitiram o “milagre econômico brasileiro”, entre os anos de 1968 e 1973. As taxas médias de crescimento anual do PIB eram em torno de 11%. Isso foi possível por algumas políticas governamentais. Ampliou-se o crédito fornecido por bancos públicos, aumentando o consumo, historicamente responsável por grande parte do crescimento da renda nacional. Apesar do crescimento da demanda, não houve significativa aceleração inflacionária, já que o crescimento do salário-mínimo, em termos reais, era controlado pelo governo. Ademais, o governo ampliou o investimento em infraestrutura, realizando grandes obras, como a ponte Rio-Niterói. No plano cambial, instituiu-se um regime de crawling peg, em que as flutuações eram controladas diariamente. O overnight, desse modo, reduziu os riscos de ataques especulativos. No comércio exterior, melhoraram os termos de troca, sendo ampliados os ganhos com as exportações e levando a saldos positivos na Balança Comercial. Além disso, houve ingresso expressivo de investimento estrangeiro no país. Esses fatores e políticas públicas levaram ao crescimento econômico, mas ampliaram o endividamento.
Nos governos de Geisel e Figueiredo, busca-se a manutenção de altas taxas de crescimento econômico pela via do endividamento, mas o contexto internacional era mais volátil e a conjuntura doméstica complexa. Em 1973, na esteira da guerra do Yom Kippur, a OPEP decide utilizar seu controle internacional do mercado petrolífero para aumentar o preço do barril. A economia brasileira, dependente de petróleo, é afetada com o aumento dos custos produtivos. Visando a evitar o arrefecimento do crescimento, o governo aproveita-se do contexto internacional de alta liquidez dos petrodólares para tomar empréstimos externos. Os recursos foram aplicados na intensificação da substituição de importações e ênfase em bens de capital no II PND. O governo aproxima-se de países árabes, sendo o Iraque e a Arábia Saudita grandes parceiros comerciais. A trajetória do endividamento torna-se desastrosa quando há a segunda crise do petróleo de 1979 e o aperto monetário do FED, que atrai dólares para os EUA. Desse modo, os juros dos empréstimos dispararam, bem como o montante da dívida em moeda nacional, pela desvalorização mundial.
A dívida brasileira, a maior do mundo entre 1967 e 1981, impôs restrições significativas ao crescimento econômico no início da década de 1980. Os empréstimos tomados com o FMI e no contexto dos petrodólares seriam praticamente impagáveis. O risco de défault ampliou a fuga de capitais do Brasil e gerou recessão no começo dos anos 1980.