Para atender às demandas de infraestrutura dos países recém-saídos da Segunda Guerra Mundial, foram criados o BIRD e seus bancos regionais para financiamentos de longo prazo de apoio a programas e projetos dos países em desenvolvimento. Em que pese o importante papel que essas instituições têm desempenhado desde então, os grandes bancos multilaterais ou regionais ainda são em pequeno número e seus volumes de empréstimos são limitados: o Banco Mundial e seus três bancos regionais emprestaram, em 2015, o montante de US$ 69 bilhões, frente a um déficit global estimado de investimentos para infraestrutura entre US$ 5 trilhões e US$ 7 trilhões anuais, incluindo de US$ 1 trilhão a US$ 1,5 trilhão só para os países em desenvolvimento.
The role of development banks in promoting growth and sustainable development in the south. UNCTAD, 2016 (com adaptações).
A partir do texto precedente, julgue (C ou E) os próximos itens, relativos ao papel dos novos bancos regionais e multilaterais no financiamento ao desenvolvimento.
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A criação de novos bancos de desenvolvimento em todos os níveis — nacional, regional e internacional —, embora seja importante para atender as demandas de investimento em infraestrutura e desenvolvimento sustentável, não tem sido vista como uma iniciativa promissora devido à oferta inadequada de crédito de curto prazo para investimentos na economia real.
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Existe uma grande lacuna a ser preenchida pelos novos bancos multilaterais de desenvolvimento no atendimento das carências de crédito adequado para infraestrutura e desenvolvimento sustentável. Além disso, devido a divergências entre retornos privados e retornos sociais, escala de capital, altos riscos e tempo de maturação dos projetos, cabe a esses bancos atuar onde o setor privado tem dificuldade de oferecer recursos no nível ótimo para investimento em infraestrutura.
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O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), estabelecido pelo BRICS, passou a existir como entidade legal em julho de 2015, com um capital autorizado de US$ 100 bilhões e a possibilidade de mobilizar recursos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nas economias emergentes e nos países em desenvolvimento. O NDB apresentou, ainda, duas inovações institucionais: igual poder de voto entre seus sócios fundadores e a possibilidade de ofertar empréstimos em moeda local para reduzir riscos aos tomadores, bem como promover os mercados de capitais locais.
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O Banco Asiático de Infraestrutura (AIIB), liderado pela China, entrou em operação em janeiro de 2016 com um capital autorizado de US$ 100 bilhões, e já conta com oitenta e sete países-membros. A despeito de ter como missão promover o investimento em infraestrutura e em outros setores produtivos na Ásia, o compromisso com seus objetivos impede que o AIIB atue de forma complementar em cooperação com outras instituições de desenvolvimento multilaterais e bilaterais.