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Padrão de Resposta
Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que as exportações brasileiras de produtos
primários são dominadas pelo agronegócio. este setor é caracterizado por grandes
propriedades altamente mecanizadas. Assim, há forte concentração fundiária e o número de
empregados agrícolas tem diminuído com o avanço da mecanização. Os proprietários do
agronegócio moram em cidades e muitos deles são verdadeiros agroindustriais voltados para
o mercado externo. Esse é o caso, por exemplo, dos produtores de soja do Paraná e do Mato
Grosso, e dos produtores de suco de laranja de São Paulo.
Segundo José Eli da Veiga, esse modelo tem aumentado a histórica preferência
brasileira pela agricultura patronal, em detrimento da agricultura familiar. Para esse autor,
esta opção pode piorar os indicadores socioeconômicos do País, se os setores urbanos da
economia não absorverem os excedentes de mão de obra do mundo rural.
Entre 1992 e 1998, José Graziano da Silva e Rodolfo Hoffman elaboraram o Projeto
Rurbano. Uma das conclusões deste trabalho foi a constatação de que “o mundo rural é
maior do que o agrícola”. Segundo esses autores, tem havido crescente urbanização do
mundo rural brasileiro e interação cada vez maior entre os setores primário, secundário e
terciário. Portanto, o conceito de campo tem-se tornado mais amplo para englobar
atividades típicas do mundo urbanizado.
Além da agroindústria, que representa os vínculos entre setor primário e secundário,
tem-se destacado também a crescente presença do setor terciário no mundo rural brasileiro.
É cada vez maior a prestação de serviços de lazer no campo: pesque-pagues, spas, hotéisfazendas, estâncias termais, esportes radicais e ecoturismo. Há, igualmente, aumento do
número e da importância das festas de peão por todo o país. Graziano ressalta que a Festa
do Peão de Boiadeiro de Barretos, em São Paulo, movimenta mais a economia do que o
carnaval do Rio de Janeiro. Assim, têm aumentado os empregos não agrícolas no campo,
graças, sobretudo, ao avanço do setor terciário no mundo rural.
Se, por um lado, a mecanização e o aumento de produtividade do agronegócio têm
aumentado as exportações de produtos primários e diminuído os empregos agrícolas, por
outro lado, a urbanização do mundo rural – no sentido de expansão dos serviços para o
campo – tem contribuído para o surgimento de pequenas e médias cidades, ou seja, para a
urbanização do país, e para a criação de empregos não-agrícolas. Esse processo atenua, mas
não elimina, os problemas gerados pela opção preferencial pela agricultura patronal. Daí a
importância dos governos continuarem a incentivar a agricultura familiar com assistência
técnica, créditos e programas de apoio como o PRONAF.