Disserte a respeito das origens, apogeu e crise do conceito de "Terceiro Mundo".
Disserte a respeito das origens, apogeu e crise do conceito de "Terceiro Mundo".
Pouco após a Segunda Guerra Mundial, assistiu-se à emergência do antagonismo
entre as duas superpotências vitoriosas naquele conflito: Estados Unidos e União Soviética.
Os primeiros liderariam um bloco de países de instituições democrático-liberais e economia
capitalista avançada (América do Norte, Europa Ocidental, Austrália, Nova Zelândia e
Japão). A segunda teria nos países da Europa Oriental e, inicialmente, também na China, sua
esfera de influência. Eram os blocos capitalista e socialista, que, além de representarem dois
lados de um conflito ideológico, também estavam envolvidos em uma corrida armamentista.
Superpondo-se a esse eixo Leste-Oeste, ganhavam importância, nas décadas de 1950
e 1960, os movimentos de descolonização, que iriam acrescentar à comunidade internacional
um grupo de países cujos problemas mais prementes não eram o do conflito ideológico ou da
Guerra Fria, mas as necessidades de desenvolvimento econômico e social. Essa temática, na
verdade, já era discutida no âmbito da Comissão Econômica para a América Latina e o
Caribe (CEPAL), criada em 1948. Os estudas da CEPAL apontavam que a estrutura do
comércio internacional, tendo os países latino-americanos como exportadores de produtos
primários, era-lhes desfavorável devido a uma inevitável ‘deterioração dos termos de troca”.
Urgia buscar o caminho do desenvolvimento pela via da industrialização.
Aos países de colonização mais antiga juntavam-se, então, países recentemente
descolonizados. Era grupo de países “subdesenvolvidos”, ou “Terceiro Mundo”, que se
diferenciava do “Primeiro Mundo” dos países capitalistas desenvolvidos e do “Segundo
Mundo” dos países de economia capitalista planificada. Em outra caracterização, os países
pobres eram os países do sul, em oposição aos do norte industrializados e desenvolvido. Na
arena diplomática, aqueles procuravam enfatizar a importância do eixo norte-sul, em
detrimento do leste-oeste. Buscavam chamara a atenção para a problemática econômicosocial, que era obscurecida pela Guerra Fria.
Parte do “Terceiro Mundo” expressou claramente essa preocupação com a criação
do Movimento dos Países Não-Alinhados, que teve seus marcos na Conferência de Bandung
(1955) e Belgrado (1961 – vale lembrar que a Iugoslávia do Marechal Tito não fazia parte da
esfera de influência soviética). Em 1964 foi criada, no âmbito das Nações Unidas, a
Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, cuja atuação se deu
paralelamente à formação, entre os países do “Terceiro Mundo”, do “Grupo do 77”. A
UNCTAD foi bem sucedida na negociação de um Sistema de Preferências que beneficiou o
comércio dos países subdesenvolvidos.
A partir dos anos 70, ocorreram clivagens que passariam a tornar o conceito de
“Terceiro Mundo” cada vez mais inadequado para descrever a realidade econômica
internacional. Os países do Leste e Sudeste asiático tomavam a dianteira no processo de
industrialização, incorporando inclusive tecnologias avançadas. O Brasil, depois dos surtos
do Plano de Metas, do “milagre” de 1968-73 e do II PND do governo Geisel, era uma
economia industrializada centrada em seu mercado interno, bem mais introvertida que na
fase agro-exportadora. Os países exportadores de petróleo formaram a OPEP e elevaram
substancialmente os preços do produto, colocando em dificuldade não só os países do
“Primeiro Mundo” mas também outros importadores como o Brasil. Os países da África
mergulhavam em guerras civis e ficavam cada vez mais para trás na corrida pelo
desenvolvimento.
Assim, pouco se fala atualmente em “Terceiro Mundo”. Mesmo porque – e este é uma
dado muito importante – o “Segundo Mundo” desapareceu com a queda do regime socialista
da União Soviética e de seus satélites. De qualquer forma, permanece a realidade de países
de baixa renda per capita, que enfrentam problemas de desenvolvimento econômico e social.
Muitos deles (como o Brasil) padecem de problema crônico de endividamento, que foi
agravado na década de 1980 com a alta dos juros internacionais. Na tentativa de capturar
diferentes matizes, o jargão diplomático fala em “países em desenvolvimento” e “países de
menor desenvolvimento relativo”. Entre os primeiros, têm destaque na mídia países como o
Brasil, a Índia, o México e os Estados do sudeste asiático, entre outros, denominados pelos
financistas como “mercados emergentes”.
Pouco após a Segunda Guerra Mundial, assistiu-se à emergência do antagonismo
entre as duas superpotências vitoriosas naquele conflito: Estados Unidos e União Soviética.
Os primeiros liderariam um bloco de países de instituições democrático-liberais e economia
capitalista avançada (América do Norte, Europa Ocidental, Austrália, Nova Zelândia e
Japão). A segunda teria nos países da Europa Oriental e, inicialmente, também na China, sua
esfera de influência. Eram os blocos capitalista e socialista, que, além de representarem dois
lados de um conflito ideológico, também estavam envolvidos em uma corrida armamentista.
Superpondo-se a esse eixo Leste-Oeste, ganhavam importância, nas décadas de 1950
e 1960, os movimentos de descolonização, que iriam acrescentar à comunidade internacional
um grupo de países cujos problemas mais prementes não eram o do conflito ideológico ou da
Guerra Fria, mas as necessidades de desenvolvimento econômico e social. Essa temática, na
verdade, já era discutida no âmbito da Comissão Econômica para a América Latina e o
Caribe (CEPAL), criada em 1948. Os estudas da CEPAL apontavam que a estrutura do
comércio internacional, tendo os países latino-americanos como exportadores de produtos
primários, era-lhes desfavorável devido a uma inevitável ‘deterioração dos termos de troca”.
Urgia buscar o caminho do desenvolvimento pela via da industrialização.
Aos países de colonização mais antiga juntavam-se, então, países recentemente
descolonizados. Era grupo de países “subdesenvolvidos”, ou “Terceiro Mundo”, que se
diferenciava do “Primeiro Mundo” dos países capitalistas desenvolvidos e do “Segundo
Mundo” dos países de economia capitalista planificada. Em outra caracterização, os países
pobres eram os países do sul, em oposição aos do norte industrializados e desenvolvido. Na
arena diplomática, aqueles procuravam enfatizar a importância do eixo norte-sul, em
detrimento do leste-oeste. Buscavam chamara a atenção para a problemática econômicosocial, que era obscurecida pela Guerra Fria.
Parte do “Terceiro Mundo” expressou claramente essa preocupação com a criação
do Movimento dos Países Não-Alinhados, que teve seus marcos na Conferência de Bandung
(1955) e Belgrado (1961 – vale lembrar que a Iugoslávia do Marechal Tito não fazia parte da
esfera de influência soviética). Em 1964 foi criada, no âmbito das Nações Unidas, a
Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, cuja atuação se deu
paralelamente à formação, entre os países do “Terceiro Mundo”, do “Grupo do 77”. A
UNCTAD foi bem sucedida na negociação de um Sistema de Preferências que beneficiou o
comércio dos países subdesenvolvidos.
A partir dos anos 70, ocorreram clivagens que passariam a tornar o conceito de
“Terceiro Mundo” cada vez mais inadequado para descrever a realidade econômica
internacional. Os países do Leste e Sudeste asiático tomavam a dianteira no processo de
industrialização, incorporando inclusive tecnologias avançadas. O Brasil, depois dos surtos
do Plano de Metas, do “milagre” de 1968-73 e do II PND do governo Geisel, era uma
economia industrializada centrada em seu mercado interno, bem mais introvertida que na
fase agro-exportadora. Os países exportadores de petróleo formaram a OPEP e elevaram
substancialmente os preços do produto, colocando em dificuldade não só os países do
“Primeiro Mundo” mas também outros importadores como o Brasil. Os países da África
mergulhavam em guerras civis e ficavam cada vez mais para trás na corrida pelo
desenvolvimento.
Assim, pouco se fala atualmente em “Terceiro Mundo”. Mesmo porque – e este é uma
dado muito importante – o “Segundo Mundo” desapareceu com a queda do regime socialista
da União Soviética e de seus satélites. De qualquer forma, permanece a realidade de países
de baixa renda per capita, que enfrentam problemas de desenvolvimento econômico e social.
Muitos deles (como o Brasil) padecem de problema crônico de endividamento, que foi
agravado na década de 1980 com a alta dos juros internacionais. Na tentativa de capturar
diferentes matizes, o jargão diplomático fala em “países em desenvolvimento” e “países de
menor desenvolvimento relativo”. Entre os primeiros, têm destaque na mídia países como o
Brasil, a Índia, o México e os Estados do sudeste asiático, entre outros, denominados pelos
financistas como “mercados emergentes”.