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Padrão de Resposta
O Brasil é país essencialmente tropical, por encontrar-se na chamada zona
intertropical, mas diversos fatores afetam tal condição. a divisão do país estabelecida pelo
IBGE em 1969, em cinco “macro-regiões” (Norte, Nordeste, Centro-Oeste. Sudeste e Sul),
não guiou-se essencialmente por critérios climáticos, o que pode ser comprovado pelas
variações encontradas dentro de uma mesma região.
A região Norte apresenta essencialmente clima tropical super-úmido,
constantemente quente (pouca amplitude térmica). A pluviosidade na região é intensa ao
longo do ano, havendo pouca variação, ou seja, divisão entre estação seca e chuvosa,
característica de climas tropicais. Isso deve-se à dinâmica da massa de ar quente
estacionada sobre a região. Portanto, a área tem sua tropicalidade alterada pela
continentalidade e pela baixa latitude, causadora de temperaturas constantemente elevadas.
O Nordeste possui forte alteração da tropicalidade, especialmente em relação
ao sertão semi-árido. A presença de elevações como o Planalto da Borborema, que servem
como barreira natural que afeta a dinâmica dos alísios, impedem a penetração de massas
úmidas no interior. Como resultado, encontramos a presença de clima semi-árido na região.
A porção norte do Nordeste apresenta clima característico da região Norte (norte do estado
do Maranhão), enquanto sua faixa litorânea é afetada por variações na temperatura da
Corrente do Brasil – que geram alterações na dinâmica das chuvas – e, ocasionalmente, pela
penetração de massas polares vindas do sul, especialmente nos meses de julho a agosto.
A região Centro-Oeste está mais próxima da tropicalidade “típica”, com
temperaturas elevadas (mas já apresentando alguma amplitude térmica) e alternância entre
estações secas e chuvosas. Ainda assim, por suas consideráveis dimensões e pela influência
da continentalidade e da latitude, há variações, especialmente nos extremos norte
(características semelhantes às apresentadas na região Norte – baixa amplitude térmica e
diferenciação mais clara entre as estações seca e chuvosa). A região apresenta o domínio
tropical típico, o Cerrado.
O Sudeste em grande parte apresenta tropicalidade “típica”, mas da mesma
forma apresenta peculiaridades. O norte de Minas Gerais, por exemplo, apresenta
características semelhantes ao sertão nordestino, com baixos índices pluviométricos. Áreas
localizadas em elevações, como a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira têm sua
tropicalidade alterada pela altitude, o que acarreta temperaturas mais amenas, se
comparadas a áreas adjacentes de baixa altitude. Dentro da região, quanto mais ao sul
(estado de São Paulo), maiores os efeitos da penetração de frentes frias no inverno, que
podem acarretar temperaturas relativamente baixas.
A região Sul apresenta clima essencialmente subtropical, sendo a região mais
intensamente sujeita aos efeitos da penetração de massas polares, que, no inverno,
ocasionam geadas e precipitação de neve, principalmente nas áreas elevadas do Rio Grande
do Sul, Santa Catarina e Paraná. Outro fator que determina o clima da região é la latitude
mais alta em relação às outras regiões do Brasil. É a área do país com maior amplitude
térmica, e sua pluviosidade sofre ocasionalmente importantes alterações com a incidência
dos fenômenos El Niño/La Niña, resultantes do aquecimento ou esfriamento anormais das
águas do Pacífico. Ocasionalmente verifica-se também o fenômeno da “friagem”, penetração
anormal de massas polares, capaz de alcançar as regiões Norte e Centro-Oeste.