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Padrão de Resposta
O clima da Amazônia é influenciado, mormente, pela massa equatorial continental, de
características quente e úmida, que confere homogeneidade ao clima. Somente no inverno, a
massa de ar polar pode chegar à região provocando o fenômeno conhecido como “friagem”.
A região é banhada pela Bacia Amazônica, cujos rios po ssuem coloração diferente de acordo
com o local onde nascem – podem possuir águas negras (Rio Negro), barrentas (Rio
Amazonas) ou cristalinas. A vegetação predominante é a floresta equatorial amazônica, mas
as características da floresta alteram-se conforme o relevo. Assim, nas regiões inundáveis,
temos a mata de igapó, nas regiões semi-inundáveis, a mata de várzea e nas áreas mais altas,
a floresta de terra-firme (a hiléia amazônica).
Até a década de 70, acreditava-se que a Amazônia era uma grande planície . Dessa
crença decorre o elevado número de termelétricas na região. Hoje, sabe-se que a Amazônica
é formada de 2 grandes planaltos cristalinos cortados pela planície amazônica. A existência
desse desnível permite a exploração do potencial hidrelétrico da região. Estima-se que mais
da metade do potencial hidrelétrico brasileiro encontre-se na Amazônia. Todavia, o custo
ambiental dessa exploração torna pouco provável o seu aproveitamento. A região dispõe de
outros recursos energéticos, derivados da biomassa, como o dendê. Nos planaltos cristalinos,
há a presença de minérios como ferro, bauxita e de pedras preciosas, como ouro e diamante.
Bertha Becker divide o processo de ocupação da Amazônia em 3 fases que, em certa
medida, correspondem à classificação de Milton Santos de meio natural, meio técnico e meio
técnico-científico -informacional. A 1ª fase é a da ocupação baseada em fortificações (com
intuito de defesa) e exploração das “drogas do sertão”. A 2ª fase é a do planejamento
regional (1930-1985). Compreende as primeiras tentativas de expansão do meio técnico à
região, nos governos Vargas e JK, com a construção da Belém-Brasília e da Brasília-Acre. O
planejamento e a exploração são aprofundados nos governos militares que entendem a
região como fornecedora de recursos naturais e energia para a região Concentrada. A
Amazônia assume o papel de fronteira de recursos. A fase atual (1985 -…) é denominada, por
Bertha Becker, de “incógnita do Heartland”. Há a disputa do vetor tecno-ecológico (VTE) e
do vetor tecno -industrial (VTI). O primeiro propõe preservação e o segundo, exploração. A
autora aponta uma solução de compromisso: adequação dos dois vetores, por meio de
estratégias de manejo florestal, venda de créditos de carbono, extrativismo vegetal
(exploração da castanha e fabricação de óleos para exportação, por exemplo), exploração da
biodiversidade. Entretanto, Becker reconhece que essa estratégia de exploração é mais
adequada à Amazônica Ocidental. A Amazônia Oriental e a região denominada de “Arco do
Povoamento Adensado” já estão sendo exploradas pelo VTI.
Grosso modo, a Amazônia Oriental corresponde aos estados do Pará, Amapá e parte de
Tocantins. Nessa região, a exploração mineral (Carajás) é de grande importância. O arco do
povoamento adensado é parte da Amazônia Legal, mas não é coberto pela floresta
amazônica. Nessa região, a exploração da monocultora exportadora e da pecuária extensiva
são as atividades principais.
Por fim, a região da Zona Franca de Manaus é um pólo de eletro-eletrônicos
incrustado na floresta por iniciativa estatal e não atende à lógica orográfica da região.