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Padrão de Resposta
Vidal de La Blanche classifica a Ásia como uma civilização presa a terra, fixa,
enquanto a Europa seria uma civilização móvel. As razões para isso estariam ligadas às
características geográficas de cada região. Na Ásia, desde cedo, surgiram vastos impérios
voltados para dentro dada a abundância de recursos hídricos, a fertilidade dos solos e a
existência de recursos minerais. Já a Europa era retalhada por inúmeros feudos que
constituíram Estados-Nacionais de proporções diminutas. A relativa escassez de recursos
teria impulsionado a Europa para uma expansão além fronteiras, levando-a a controlar o
comércio, em um primeiro momento, e a economia mundial, controlando a civilização fixa e
apoderando-se de seus recurso, na fase imperialista.
O sucesso da civilização móvel teria ensinado a Ásia a seguir seu exemplo e expandirse para além de suas fronteiras. Foi o que fez o Japão, que programou sua abertura a partir
da Revolução Meiji, e, ao final do séc. XIX, tornou -se uma potência imperial. China e Índia
foram abertas pelas potências ocidentais, mas antes de haverem obtido condições de
expandirem-se.
Embora a América Latina tenha sido colonizada por uma civilização móvel, a
abundância de recursos faz com que se assemelhe a uma civilização fixa. O modelo
agroexportador que vigorou até a década de 30 faz lembrar a abertura forçada. A partir daí,
a América Latina e, particularmente, o Brasil, volta-se para dentro e desenvolve modelo de
substituição de importações. Na década de 1980, a crise da dívida revela o esgotamento do
modelo de desenvolvimento voltado para dentro. Surge a necessidade de abertura e
expansão. Todavia, a modernização havia sido concentrada e não foi capaz de fincar as
bases para uma abertura com possibilidades de expansão. Nesse contexto, a abertura
irrestrita exigiu um estágio de desenvolvimento interno que a América Latina não havia
alcançado. A estagnação econômica atual é reflexo das tentativas de inserção na ordem
global.
Após a abertura forçada da Ásia, a China fechou-se novamente, o Japão engendrou
esforços para reestruturar sua produção e os NICs abriram completamente suas economias
num esforço de executar a industrialização conduzida pelas exportações. As dimensões do
Japão e dos NICs parecem inseri-los, desde já, na lógica das civilizações móveis que crescem
por expansão. A China, ao fechar-se, reforçou a lógica das civilizações fixas. A diferença
entre a China e a América Latina é que a primeira conseguiu inserir-se na nova ordem
capitalista internacional que surge após a crise de estruturação da economia mundo (Bertha
Becker).
Pelo exposto, percebe-se que as características endógenas de cada continente
influenciam no padrão primário de inserção internacional. Todavia, o que irá determinar o
padrão de inserção no mundo globalizado será a maior ou menor adaptação dos continentes
à nova divisão internacional do trabalho, na qual a tecnologia passa a ser o fator de
produção predominante e as redes tecnológicas desterritorializam a produção.