Estabeleça um quadro panorâmico e comparativo entre as potencialidades da
hidroeletricidade e da termoeletricidade no Brasil.
Estabeleça um quadro panorâmico e comparativo entre as potencialidades da
hidroeletricidade e da termoeletricidade no Brasil.
A definição de novas estratégias para o desenvolvimento econômico brasileiro passa,
necessariamente, pelo debate sobre sua matriz energética. Destaca-se nessa agenda a
avaliação de potencialidades da hidroeletricidade e termoeletricidade no país, tarefa que vai
além de cálculos sobre a capacidade de oferta. Faz-se necessária uma análise histórica do
tema, bem como aspectos relacionados à demanda por energia no futuro e os riscos
ambientais envolvidos.
Até o início do século XX predominava no Brasil o uso da lenha como fonte
energética. Fez uso dela as primeiras instalações de geração de eletricidade, cuja tecnologia
e capital vieram do exterior. A hidroeletricidade também chegou ao país a partir do capital
externo e teve como palco pequenas geradoras instaladas no Estado de São Paulo. Foi a
partir das décadas de 40 e 50 que o Brasil experimentou um salto no uso da
hidroeletricidade.
O relevo brasileiro é marcado por planaltos e uma vasta rede hidrográfica. Em
muitos pontos a declividade no curso dos rios permite a exploração da hidroeletricidade. A
bacia do Rio Paraná, localizada na Região Concentrada (Sudeste e Sul) sofreu diversas
intervenções humanas. Resta pouco potencial explorado. Ao longo do rio Tietê, diversas
usinas foram instaladas. Ao Sul, Itaipu sozinha representa a geração de mais de 20% da
energia elétrica usada no país. No Nordeste brasileiro, a bacia hidrográfica do rio São
Francisco está próxima do limite de uso do potencial hidrelétrico. Sobradinho, e seu
reservatório de imenso espelho d’água é exemplo de uso do território com obras de grande
envergadura. Somente na região Norte, as bacias do Rio amazonas e Parnaíba ainda
possuem grande potencial de exploração. No curso Araguaia-Tocantins destaca-se a
instalação da usina de Tucurui, segunda maior do país.
Os imensos investimentos para a instalação de usinas hidrelétricas vieram do Estado,
que se financiava por empréstimos internacionais. O objetivo era produzir energia em grande
quantidades e a baixo custo para servir a projetos industriais energo-intensivos, tal como o
processamento de minérios. A geração teria de servir também a outras indústrias e
consumidores de grandes cidades, o que exigia a instalação de uma ampla rede de
transmissão.
Nesse período, o uso de termoelétricas ficou reservado a regiões distantes das
grandes unidades geradoras. Exemplo disso são as cidades no interior da floresta amazônica,
tal como Manaus. O uso da lenha foi substituído pela queima de óleo. O custo da instalação
era relativamente baixo, mas o preço de energia na venda era mais caro.
A partir dos anos 80 dois fatores alteraram esse quadro. A crise fiscal do Estado
brasileiro passou a impedir a obtenção de novos empréstimos. Além disso, guiando-se pelo
salto tecnológico no mundo, o processo de industrialização no Brasil passou a perseguir
indústrias ligadas à microeletrônica e telecomunicações, que não são energo-intensivas. Uma
relativa paralisação nos investimentos em geração de energia levou o país à beira de uma
crise fiscal no final dos anos 90. A opção por termoelétricas passou a ser interessante, dado
seu menor custo de instalação e maior mobilidade para escolha do local das usinas, que
poderia ser próximo aos grandes centros consumidores.
O desafio restava em qual o combustível para as termoelétricas. A fonte nuclear era
de altíssimo custo e as poucas experiências brasileiras (Angra I e Angra II) apontam a
necessidade de maior domínio da tecnologia. O carvão, já utilizado em termoelétricas em
Santa Catarina, necessitava de importação para atender maior escala. O petróleo,
commodity em que o Brasil busca auto-suficiência, exporia o país novamente às oscilações
do preço internacional. A principal fonte energética para as termoelétricas deverá ser o Gás
Natural, importado dos países vizinhos da América do Sul, com destaque para a Bolívia.
Todas as opções de termoeletricidade e hidroeletricidade geram impactos ambientais.
Resíduos radioativos ou emissão de gás carbônico por um lado. Inundação de vastas áreas e
desequilíbrios de ecossistemas locais por outro lado. De todas elas, a combustão de gás
natural parece acarretar menos impacto.
O Brasil possui um potencial de hidroeletricidade na região norte do país, porém
usinas teriam alto custo e estariam distantes dos grandes centros. As termoelétricas parecem
mais viáveis para atrair capitais privados, atender a nova demanda (nos centros urbanos) e
produzir limitado impacto ambiental.
A definição de novas estratégias para o desenvolvimento econômico brasileiro passa,
necessariamente, pelo debate sobre sua matriz energética. Destaca-se nessa agenda a
avaliação de potencialidades da hidroeletricidade e termoeletricidade no país, tarefa que vai
além de cálculos sobre a capacidade de oferta. Faz-se necessária uma análise histórica do
tema, bem como aspectos relacionados à demanda por energia no futuro e os riscos
ambientais envolvidos.
Até o início do século XX predominava no Brasil o uso da lenha como fonte
energética. Fez uso dela as primeiras instalações de geração de eletricidade, cuja tecnologia
e capital vieram do exterior. A hidroeletricidade também chegou ao país a partir do capital
externo e teve como palco pequenas geradoras instaladas no Estado de São Paulo. Foi a
partir das décadas de 40 e 50 que o Brasil experimentou um salto no uso da
hidroeletricidade.
O relevo brasileiro é marcado por planaltos e uma vasta rede hidrográfica. Em
muitos pontos a declividade no curso dos rios permite a exploração da hidroeletricidade. A
bacia do Rio Paraná, localizada na Região Concentrada (Sudeste e Sul) sofreu diversas
intervenções humanas. Resta pouco potencial explorado. Ao longo do rio Tietê, diversas
usinas foram instaladas. Ao Sul, Itaipu sozinha representa a geração de mais de 20% da
energia elétrica usada no país. No Nordeste brasileiro, a bacia hidrográfica do rio São
Francisco está próxima do limite de uso do potencial hidrelétrico. Sobradinho, e seu
reservatório de imenso espelho d’água é exemplo de uso do território com obras de grande
envergadura. Somente na região Norte, as bacias do Rio amazonas e Parnaíba ainda
possuem grande potencial de exploração. No curso Araguaia-Tocantins destaca-se a
instalação da usina de Tucurui, segunda maior do país.
Os imensos investimentos para a instalação de usinas hidrelétricas vieram do Estado,
que se financiava por empréstimos internacionais. O objetivo era produzir energia em grande
quantidades e a baixo custo para servir a projetos industriais energo-intensivos, tal como o
processamento de minérios. A geração teria de servir também a outras indústrias e
consumidores de grandes cidades, o que exigia a instalação de uma ampla rede de
transmissão.
Nesse período, o uso de termoelétricas ficou reservado a regiões distantes das
grandes unidades geradoras. Exemplo disso são as cidades no interior da floresta amazônica,
tal como Manaus. O uso da lenha foi substituído pela queima de óleo. O custo da instalação
era relativamente baixo, mas o preço de energia na venda era mais caro.
A partir dos anos 80 dois fatores alteraram esse quadro. A crise fiscal do Estado
brasileiro passou a impedir a obtenção de novos empréstimos. Além disso, guiando-se pelo
salto tecnológico no mundo, o processo de industrialização no Brasil passou a perseguir
indústrias ligadas à microeletrônica e telecomunicações, que não são energo-intensivas. Uma
relativa paralisação nos investimentos em geração de energia levou o país à beira de uma
crise fiscal no final dos anos 90. A opção por termoelétricas passou a ser interessante, dado
seu menor custo de instalação e maior mobilidade para escolha do local das usinas, que
poderia ser próximo aos grandes centros consumidores.
O desafio restava em qual o combustível para as termoelétricas. A fonte nuclear era
de altíssimo custo e as poucas experiências brasileiras (Angra I e Angra II) apontam a
necessidade de maior domínio da tecnologia. O carvão, já utilizado em termoelétricas em
Santa Catarina, necessitava de importação para atender maior escala. O petróleo,
commodity em que o Brasil busca auto-suficiência, exporia o país novamente às oscilações
do preço internacional. A principal fonte energética para as termoelétricas deverá ser o Gás
Natural, importado dos países vizinhos da América do Sul, com destaque para a Bolívia.
Todas as opções de termoeletricidade e hidroeletricidade geram impactos ambientais.
Resíduos radioativos ou emissão de gás carbônico por um lado. Inundação de vastas áreas e
desequilíbrios de ecossistemas locais por outro lado. De todas elas, a combustão de gás
natural parece acarretar menos impacto.
O Brasil possui um potencial de hidroeletricidade na região norte do país, porém
usinas teriam alto custo e estariam distantes dos grandes centros. As termoelétricas parecem
mais viáveis para atrair capitais privados, atender a nova demanda (nos centros urbanos) e
produzir limitado impacto ambiental.