Texto VII – questões de 40 a 43
1 A localidade opõe-se à globalidade, mas
também se confunde com ela. O mundo, todavia, é
nosso estranho. Pela sua essência, ele pode
4 esconder-se; não pode, entretanto, fazê-lo pela sua
existência, que se dá nos lugares. No lugar, nosso
Próximo, superpõem-se, dialeticamente, o eixo das
7 sucessões, que transmite os tempos externos das
escalas superiores, e o eixo dos tempos internos, que
é o eixo das coexistências, onde tudo se funde,
10 enlaçando, definitivamente, as noções e as realidades
de espaço e de tempo.
No lugar — um cotidiano compartido entre
13 as mais diversas pessoas, firmas e instituições —,
cooperação e conflito são a base da vida em comum.
Porque cada qual exerce uma ação própria, a vida
16 social individualiza-se; e, porque a contigüidade é
criadora de comunhão, a política se territorializa, com
o confronto entre organização e espontaneidade. O
19 lugar é o quadro de uma referência pragmática ao
mundo, do qual lhe vêm solicitações e ordens precisas
de ações condicionadas, mas é também o teatro
22 insubstituível das paixões humanas, responsáveis, por
meio da ação comunicativa, pelas mais diversas
manifestações da espontaneidade e da criatividade.
Milton Santos. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e
emoção. 2.ª ed. São Paulo: Hucitec, p. 258 (com adaptações).
Julgue (C ou E) os itens que se seguem, a respeito das idéias e
das estruturas lexicais, morfossintáticas e semânticas do
texto VII.
-
O conteúdo desse excerto resume-se em conceituar e
explanar a localidade como uma manifestação próxima,
cotidiana, pragmática da globalidade. -
A coexistência tem lugar no “mundo”, e não, no
“lugar”. -
A expressão “nosso Próximo” (R.5-6) exerce a mesma
função sintática que o trecho entre travessões nas linhas
12 e 13. -
No texto, dois campos semânticos confrontam-se:
de um lado: “localidade” / “existência” / “eixo da
coexistência” / “cooperação”; de outro: “globalidade”/
“essência” / “eixo dos tempos internos” / “conflito”.