Comente a observação de Friedrich Ratzel de que “as ilhas se caracterizam em geral
por uma grande homogeneidade étnica e de civilização de seus habitantes. Ao contrário, um
território muito aberto favorece a miscigenação e o cruzamento dos povos”.
Comente a observação de Friedrich Ratzel de que “as ilhas se caracterizam em geral
por uma grande homogeneidade étnica e de civilização de seus habitantes. Ao contrário, um
território muito aberto favorece a miscigenação e o cruzamento dos povos”.
Ratzel, geógrafo do século XIX, foi muito influenciado na produção de sua teoria
geográfica pelo contexto nacional em que vivia. Assim, antes de considerar a afirmação
sobre a homogeneidade étnica e cultural das ilhas e a miscigenação do continente, deve-se
analisar a teria que o teórico produziu.
Ratzel foi contemporâneo do processo de unificação alemã. Viveu não apenas o
processo de consolidação do Estado alemão, mas também a industrialização do país. O
carvão, recurso essencial para a industrialização como fonte de energia, deu ensejo ao
expansionismo alemão no continente europeu.
É comum a associação da teoria do espaço vital, concebida por Ratzel, com o
expansionismo alemão. Diz-se até mesmo que essa teoria serviu ao propósito de legitimação
da expansão alemã e incitou a produção teórica francesa de La Blache. Esta, por sua vez,
serviria ao propósito não apenas de questionar o expansionismo alemão na Europa, como
também legitimar o imperialismo francês na África e na Ásia. Conhecida como possibilismo,
afirmava que o contato entre povos muito diferentes permitiria a troca de conhecimentos e
maior capacidade de adaptação a novos meios.
A teoria de Ratzel, mais tarde conhecida como determinismo, estava fundamentada no
conceito de espaço vital. Essa idéia indicava que o território do país dotava-o de uma certa
capacidade para que se desenvolvesse. Quando, por ventura, aqueles limites não atendessem
mais às suas necessidades, seria legítimo ao Estado buscar os meios de vida necessários ao
desenvolvimento, mesmo que isso implicasse a conquista de território. Os Estados teriam
direito a conquistar esse espaço vital, isto é, aquele que seria necessário ao desenvolvimento
e reprodução do país.
Considerando-se essa teoria, em princípio, a condição insular limita a possibilidade
de expansão ao entorno imediato. Em primeiro momento, haveria estímulo a intensificação
do contato com os demais residentes da ilha e provocaria a homogeneidade étnica e de
civilização sustentados por Ratzel. O geógrafo deixou de considerar, porém, que o avanço
tecnológico dos meios de transporte permitiria romper com o isolamento natural da ilha e
proporcionaria a intensificação dos contatos com outros povos e alteraria a situação de
homogeneidade. Tal foi a situação da Inglaterra e – embora não seja uma ilha, mas, ainda
assim, isolado na península Ibérica – de Portugal.
Por sua vez, a asserção em relação a posição continental também, em tese, pode ser
válida. Afinal, a contigüidade territorial permite o deslocamento populacional e,
eventualmente, o encontro entre povos. De mesma sorte, a existência de obstáculos naturais
no continente, também, pode representar um obstáculo a miscigenação e cruzamento dos
povos. Mais uma vez, restaria o acúmulo de conhecimento e o avanço como meios
necessários para garantir o encontro.
Nesse aspecto, vale considerar o povoamento do Brasil. A natureza continental do
território permitiu o avanço da colonização e a interiorização do país; porém, enquanto o
curso do Amazonas representou o caminho natural dos povos jesuítas no Norte, no centro-sul
os bandeirantes levaram cerca de cento e cinqüenta anos para superar a Serra do Mar.
Ambos os grupos movidos pelo que Ratzel chamou de meios de vida.
A teoria de Ratzel lançou as bases da geopolítica do século XIX e serviu ao propósito
de legitimar as ações do Estado alemão.
Ratzel, geógrafo do século XIX, foi muito influenciado na produção de sua teoria
geográfica pelo contexto nacional em que vivia. Assim, antes de considerar a afirmação
sobre a homogeneidade étnica e cultural das ilhas e a miscigenação do continente, deve-se
analisar a teria que o teórico produziu.
Ratzel foi contemporâneo do processo de unificação alemã. Viveu não apenas o
processo de consolidação do Estado alemão, mas também a industrialização do país. O
carvão, recurso essencial para a industrialização como fonte de energia, deu ensejo ao
expansionismo alemão no continente europeu.
É comum a associação da teoria do espaço vital, concebida por Ratzel, com o
expansionismo alemão. Diz-se até mesmo que essa teoria serviu ao propósito de legitimação
da expansão alemã e incitou a produção teórica francesa de La Blache. Esta, por sua vez,
serviria ao propósito não apenas de questionar o expansionismo alemão na Europa, como
também legitimar o imperialismo francês na África e na Ásia. Conhecida como possibilismo,
afirmava que o contato entre povos muito diferentes permitiria a troca de conhecimentos e
maior capacidade de adaptação a novos meios.
A teoria de Ratzel, mais tarde conhecida como determinismo, estava fundamentada no
conceito de espaço vital. Essa idéia indicava que o território do país dotava-o de uma certa
capacidade para que se desenvolvesse. Quando, por ventura, aqueles limites não atendessem
mais às suas necessidades, seria legítimo ao Estado buscar os meios de vida necessários ao
desenvolvimento, mesmo que isso implicasse a conquista de território. Os Estados teriam
direito a conquistar esse espaço vital, isto é, aquele que seria necessário ao desenvolvimento
e reprodução do país.
Considerando-se essa teoria, em princípio, a condição insular limita a possibilidade
de expansão ao entorno imediato. Em primeiro momento, haveria estímulo a intensificação
do contato com os demais residentes da ilha e provocaria a homogeneidade étnica e de
civilização sustentados por Ratzel. O geógrafo deixou de considerar, porém, que o avanço
tecnológico dos meios de transporte permitiria romper com o isolamento natural da ilha e
proporcionaria a intensificação dos contatos com outros povos e alteraria a situação de
homogeneidade. Tal foi a situação da Inglaterra e – embora não seja uma ilha, mas, ainda
assim, isolado na península Ibérica – de Portugal.
Por sua vez, a asserção em relação a posição continental também, em tese, pode ser
válida. Afinal, a contigüidade territorial permite o deslocamento populacional e,
eventualmente, o encontro entre povos. De mesma sorte, a existência de obstáculos naturais
no continente, também, pode representar um obstáculo a miscigenação e cruzamento dos
povos. Mais uma vez, restaria o acúmulo de conhecimento e o avanço como meios
necessários para garantir o encontro.
Nesse aspecto, vale considerar o povoamento do Brasil. A natureza continental do
território permitiu o avanço da colonização e a interiorização do país; porém, enquanto o
curso do Amazonas representou o caminho natural dos povos jesuítas no Norte, no centro-sul
os bandeirantes levaram cerca de cento e cinqüenta anos para superar a Serra do Mar.
Ambos os grupos movidos pelo que Ratzel chamou de meios de vida.
A teoria de Ratzel lançou as bases da geopolítica do século XIX e serviu ao propósito
de legitimar as ações do Estado alemão.