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Padrão de Resposta
As duas maiores cidades brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro, consideradas pelo
IBGE como metrópoles globais, lideram há décadas o ranking das localidades que mais
contribuem para o produto interno bruto do país, em virtude, sobretudo, da concentração
espacial histórica de grandes empresas. Nos últimos anos, esse ranking apresentou como
novidade o aparecimento de pequenos municípios, os quais, devido, principalmente, à
atividade petroleira, desbancaram as capitais de alguns estados no que diz respeito à
participação no PIB.
A riqueza brasileira ainda está muito concentrada no Rio de Janeiro e em São Paulo.
A importância da primeira remonta ao período colonial. Em 1763, a cidade do Rio de
Janeiro passou a ser a capital do então vice-reino, em virtude do escoamento de ouro das
Minas Gerais. A chegada da Família Real em 1808 teve como efeito a modernização da
cidade, que, ainda no século XIX, atingiria a marca de 500 mil habitantes. Essa concentração
populacional significou importante incentivo para o surgimento de pequenos
estabelecimentos industriais com base em bens não-duráveis.
A cidade de São Paulo, por sua vez, começou a comandar o processo de
industrialização brasileiro escorada na pujância da economia cafeeira, que recebia fortes
investimentos estrangeiros em infra-estrutura nas primeiras décadas do século XX.
A partir da década de 1930, quando a industrialização do país passou a ser um dos
objetivos principais do Estado nacional, a concentração de riqueza aumentou ainda mais
nessas duas cidades, com destaque para a implementação da Companhia Siderúrgica
Nacional no vale do Paraíba do Sul, na década de 1940, e da indústria automotiva em São
Paulo.
Depois da década de 1960, em meio à revolução tecnocientífica e à intensificação do
processo de globalização, Rio de Janeiro e São Paulo começaram a ganhar destaque como
centros concentradores de empresas intensivas em tecnologia e como locais da sede de
companhias de ramos tradicionais. Começava a ocorrer no espaço geográfico brasileiro o
fenômeno da desconcentração espacial das fábricas, as quais mudaram sua lógica de
localização em virtude da revolução no setor de transportes e nas comunicações. Segundo
Milton Santos, Rio e São Paulo comandavam assim a implantação do meio técnico-científicoinformacional no território brasileiro.
Brasília aparece também entre os primeiros lugares do ranking por ser outro
ponto de controle de atividades dispersas pelo espaço nacional. Os altos salários do local, no
entanto, não são pagos a executivos de grandes empresas, mas ao funcionalismo público. A
capital federal, Rio e São Paulo comandam os contatos verticais da estrutura espacial
reticular da economia brasileira.
Movidas por atividades mais ligadas ao setor secundário da economia, Manaus, Belo
Horizonte e Curitiba aparecem no ranking como importantes metrópoles nacionais, por
influenciarem grandes áreas em seu entorno. Grande parte de riqueza na capital do estado de
Amazonas é proveniente da Zona Franca de Manaus, que vem recebendo investimentos
estrangeiros, notadamente asiáticos, e se concentra na produção de bens duráveis, como
motos e relógios. Belo Horizonte está fortemente conectada ao pujante setor siderúrgico do
Estado de Minas Gerais. Já Curitiba, nos últimos anos, vem ganhando áreas de influência na
Região Sul em detrimento de Porto Alegre. Além disso, a capital paranaense concentra a
tomada de decisões em relação a importantes pólos industriais, como São José dos Pinhais, e
em relação à produção de soja e ao escoamento desse produto pelo porto de Paranaguá.
As novidades na lista sobre a distribuição do PIB são as cidades fluminenses de
Campos, Macaé e Duque de Caxias, todas ligadas ao setor petroleiro. Campos e Macaé
recebem altas receitas provenientes de royalties pagos pelo governo federal em virtude da
extração de petróleo na Bacia de Campos, que vem recebendo cada vez mais investimentos
por parte da Petrobras para exploração da Plataforma Continental. Já Duque de Caxias
registra alta geração de riqueza devido à refinaria da Petrobras (Reduc) localizada no
município. Vale notar que, apesar da forte receita municipal, a cidade de Duque de Caxias
apresenta alto índice de pobreza.
Guarulhos, por sua vez, não vem sofrendo, nos últimos anos, o processo de
desconcentração espacial de indústrias que atinge outras cidades do entorno da cidade de
São Paulo, como os municípios do ABCD (Santo André, São Bernardo, São Caetano e
Diadema). Na verdade, em virtude da localização do Aeroporto Internacional de São Paulo,
Guarulhos passou a ser uma área de transbordamento da economia da capital no que tange à
localização de empresas intensivas em tecnologia e de sedes de empresas de ramos
tradicionais. Além disso, Guarulhos localiza-se na saída de São Paulo em direção ao Rio de
Janeiro, na Via Dutra, principal eixo da economia nacional.