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Padrão de Resposta
A população rural européia e norte-americana tem registrado crescimento, nas
últimas décadas, em decorrência de três fatores que definem tendências no mundo
desenvolvido: a suburbanização, a flexibilização das relações trabalhistas e o advento de
tecnologias da informação que permitem o trabalho à distância. Estas transformações se
inserem no quadro da chamada “quaternização” da economia, caracterizada pelo advento e
pela preponderância de atividades do setor de serviços, como altas finanças, tecnologia da
informação, consultorias, serviços de saúde, turismo, entre outros. Percebe-se, desta feita,
que a população rural que vem crescendo nos países desenvolvidos não é agrícola –
concentra as suas atividades no quaternário, não no setor primário.
As tecnologias da informação e a flexibilização do trabalho, com a adoção de novos
arranjos produtivos – como o just-in-time – e o pagamento do empregado por serviço
prestado, criaram a figura do trabalhador doméstico: aquele que executa as tarefas
requeridas de casa e comunica-se com o escritório por meios eletrônicos. Como resultado da
facilidade de o profissional trabalhar em casa, houve reforço a outra tendência: a
suburbanização.
A suburbanização diferencia-se da periferização (mais comum em países
subdesenvolvidos) por se tratar de movimento da classe média em direção ao campo,
geralmente motivada por preocupações com segurança e com o contato com a natureza. O
processo de suburbanização leva à criação de condomínios fechados, espaços sem relações
com seus entornos. Trata-se, portanto, de reforços às verticalidades em oposição às
horizontalidades.
Recentemente, uma tendência nova tem sido verificada: a de “commuters” (residentes nos
subúrbios) voltarem para os centros urbanos, principalmente às áreas históricas. Isto vem
ocasionando a valorização e a revitalização dessas áreas, bem como a expulsão da
população pobre para regiões menos valorizadas (periferização).
No Brasil, os fenômenos da suburbanização e do crescimento da população rural nãoagrícola também podem ser observados. Em todo o interior do Estado de São Paulo crescem
as atividades destinadas à população urbana, como hotéis-fazenda, pousadas, feiras e
exposições, parques de diversão e empreendimentos turísticos. Verifica-se facilmente o
parcelamento de propriedades rurais para a constituição de condomínios fechados e
loteamentos para casas de veraneio.
Um caso exemplar de espaço verticalizado são os condomínios fechados Alphaville,
presentes hoje em várias capitais: São Paulo, Salvador, Goiânia e Recife. Este
empreendimento cria um ambiente em que o residente não convive com a pobreza: todo o
comércio, o atendimento médico e, em alguns casos, até o trabalho é feito dentro da área do
condomínio.
A suburbanização, no Brasil, ainda é um fenômeno limitado, em decorrência do
tamanho menor da classe média brasileira em comparação com a de países ricos. Entretanto,
os altos índices de violência nos centros urbanos do Brasil têm reforçado esta tendência. É
um fato a se lamentar, pois, de acordo com o geógrafo e filósofo francês Henri Lefebvre, os
espaços fechados – com suas faltas de interação democrática entre pessoas e classes –
representam o “fim da cidade”.