×
Padrão de Resposta
Desde os atentados terroristas contra alvos civis e militares norte-americanos em
setembro de 2001, o governo dos Estados Unidos da América vem implementando uma
política belicosa e intervencionista no Oriente Médio, região de onde são naturais parte dos
terroristas e onde parte dos governos e das populações são hostis aos EUA e a alguns países
aliados dos americanos.
O interesse norte-americano vai além de simplesmente desbaratar organizações
terroristas que eventualmente possam esconder-se em países da região, ou mesmo serem
apoiadas por certos governos. Toda a região islâmica, desde o Paquistão até o norte da
África, é palco constante de instabilidades políticas. É comum entre as populações dessa área
a desconfiança, ou mesmo a aversão, às interferências do Ocidente – leia-se, principalmente,
dos EUA. Nessa região, no entanto, encontram-se recursos naturais estratégicos – dos quais
o mais importante é o petróleo – e excelentes oportunidades de investimento, sobretudo para
companhias mineradoras e do ramo de construção civil e infra-estrutura.
Diante desses interesses estratégicos, é importante para o governo e para as
corporações norte-americanas vencer resistências e, se possível, estabelecer governos
favoráveis ao Ocidente na região. A estratégia escolhida para tal finalidade variou de acordo
com cada país, mas, de maneira geral, pode ser classificada como intervencionista. No
Afeganistão e no Iraque, chegou-se à guerra e à ocupação. Em alguns outros países, como
Arábia Saudita e Paquistão, onde os governos mostraram-se receptivos, os EUA tenderam à
cooperação, mas sempre com imposição de condições e pontos de vista americanos.
Os problemas que a estratégia e a ação estadunidense vêm gerando são vários e
complexos. Primeiramente, as operações militares foram decididas de maneira unilateral,
inclusive contra a oposição de governos de países significativos da cena internacional
(França, Alemanha e Rússia, por exemplo) e de grande parcela da opinião pública
internacional. Isso retirou às operações militares a legitimidade que teve, por exemplo, a
primeira Guerra do Golfo.
Além disso, o modo de agir violento das tropas norte-americanas e aliadas fez crescer
entre a opinião pública da região o sentimento anti-Ocidente. Determinados grupos mais
radicais destas populações optaram pela resistência guerrilheira armada contra as forças de
ocupação. A facilidade em vencer a resistência armada institucional no Afeganistão e no
Iraque contrasta com a dificuldade no controle de milicianos radicais.
A radicalização vem tornando a ocupação americana mais custosa, tanto em termos
monetários quanto humanos. Dessa maneira, cresce a oposição às ocupações entre a
população e os políticos dos próprios EUA, e também dos países aliados. As últimas eleições
legislativas norte-americanas deram à oposição democrata o controle do legislativo federal,
o que deve causar ainda mais dificuldades ao governo Bush.
Além da violência das milícias, as forças americanas ainda se ressentem da
fragilidade política e institucional dos governos estabelecidos nos países ocupados. A
desorganização estatal fomenta os choques entre grupos étnicos e religiosos, como xiitas e
sunitas iraquianos, e tornam a política local e a ocupação militar mais sujeitas a
instabilidades.
De tudo o que foi dito, fica claro que a política norte-americana para o Oriente Médio
enfrenta sérias dificuldades, muitas das quais criadas ou ampliadas pela unilateralidade e
pela violência dos próprios meios como agem americanos e aliados.