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Padrão de Resposta
Com o crescimento da economia brasileira nos anos recentes, as dificuldades
logísticas mostram-se como empecilhos ao desenvolvimento da produção nacional. O “custo
brasil” tem demandado a atenção dos governantes recorrentemente em nossa história e
ainda é um dos principais entraves à economia do País.
Desde o governo Juscelino Kubitschek, a rede rodoviária consolidou-se como a
principal rede do sistema de transporte brasileiro. O expressivo número de rodovias que
cortam o território nacional implica alto custo de manutenção, muitas vezes não atendido
pelo poder público. A má conservação de estradas, problema freqüente na malha rodoviária,
impede o escoamento da produção de forma eficiente, resultando em aumento do preço de
transporte da mercadoria e, conseqüentemente, em aumento do preço final, tirando parte da
competitividade da produção nacional. Caso emblemático é o da produção de soja. O Brasil
possui um dos maiores índices de produtividade mundial no plantio, mas perde
competitividade quando o produto deixa a fazenda e entra no sistema de transporte. A BR163 (Cuiabá-Santarém), por onde parte da produção do Centro-Oeste é escoada, encontra-se
em péssimas condições, aumentando o custo de transporte da soja.
O grande número de caminhões nas rodovias brasileiras, devido à opção pelo
transporte rodoviário, gera enorme demanda por óleo diesel, produto que o Brasil importa
em grandes quantidades. Os congestionamentos tornaram-se freqüentes em determinadas
rodovias brasileiras, como na Rodovia Presidente Dutra. Ligando as duas áreas de maior
dinamismo no Brasil, a rodovia cruza importantes centros urbanos, o que acarreta
diminuição na fluidez. A estratégia de privatização de rodovias, adotada na década de 1990
com maior vigor, demonstrou produzir benefícios em determinadas regiões. O território do
estado de São Paulo possui alta densidade de rodovias bem conservadas que permitem maior
fluidez no transporte de sua produção. Os pedágios, no entanto, representam custos
crescentes no processo de transporte. O governo federal licitou, recentemente, novos trechos
de rodovias federais, entre eles o da ligação entre São Paulo e Curitiba. A intenção é atrair o
capital privado para melhorar a conservação da malha rodoviária, sem que implique custos
elevados de pedágio.
Ainda com relação ao escoamento da produção, o sistema ferroviário volta a ganhar
atenção como opção de transporte. Negligenciado nos anos recentes da história brasileira, o
sistema ferroviário tornou-se obsoleto, com exceção de algumas vias pontuais de escoamento,
como a linha Vitória-Minas e a Estrada de Ferro Carajás. O sistema ferroviário também foi
submetido às privatizações no intuito de torná-lo novamente dinâmico. Empresas como a
América Latina Logística e a MRS Logística ficaram incumbidas da revitalização do sistema
ferroviário, tornando-o novamente atrativo para o transporte de mercadorias. Implantado em
redes extravertidas, o sistema ferroviário brasileiro não tem todo o seu potencial usufruído,
em parte devido à má conservação dos trilhos e à diferença de tamanho das bitolas. Devido
a esses problemas, as ferrovias brasileiras continuam transportando essencialmente produtos
de grande peso, como os minérios.
Outro grave problema que aflige o sistema de transporte brasileiro é a lentidão nos
trâmites portuários. São comuns as filas de caminhoneiros no porto de Paranaguá esperando
o momento de embarque da soja. A falta de densidade normativa adequada, aumentando a
burocracia, reflete no preço final do produto e tira a competitividade do produto local. A Lei
dos Portos de 1993 permitiu a criação de portos privados para embarque de produtos de
terceiros, de modo a dotar o território de maior porosidade. O alto volume de investimento
necessário inibe as iniciativas que hoje existem no País. A burocracia lenta impede a fluidez
de mercadorias, o que poderia ser resolvido com o aumento de portos secos. O transporte
fluvial apresenta enormes potencialidades no Brasil, como atesta a hidrovia Tietê-Paraná.
Diminuir as viscosidades do território brasileiro para aumentar a competitividade do
produto nacional continua sendo um grande desafio para o governo brasileiro. Hoje, o
desafio maior é equacionar investimentos em infra-estrutura com conservação ambiental e
distribuição eqüitativa dos benefícios.