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Padrão de Resposta
A África é uma região rica em recursos naturais. Desde o século XVI, potências
estrangeiras encontravam-se na região, a fim de explorar os recursos naturais dos países
africanos. A crescente demanda internacional por matérias-primas reativa a corrida pelos
recursos africanos. Os atores econômicos que atuam na região alteram-se, com a adição de
atores provenientes de países emergentes. A lógica de acumulação, contudo, permanece a
mesma. A pacificação de alguns dos conflitos internos reduziu o risco da operação de
empresas em alguns países, o que colocou essas nações no mapa de exploração de empresas
transnacionais.
O crescimento econômico de países de antes economia pouco relevante no contexto
internacional aumentou a demanda por matérias primas. China e Índia, principalmente,
aumentaram suas demandas de recursos naturais necessários para o crescimento de suas
indústrias. Os processos energointensivos das indústrias chinesas engendraram o aumento da
demanda por energia importada. Essa energia é proveniente, sobretudo, de fontes fósseis não
renováveis como o carvão, abundante em território chinês, e o petróleo, escasso nos
territórios chinês e indiano. O desenvolvimento industrial de China e de Índia passa também
pela indústria de base, que tem na siderurgia sua pedra fundamental e demanda minério de
ferro em profusão.
Historicamente, as potências europeias exploram materiais nobres na África. Ouro e
diamante são minerais explorados pelas transnacionais europeias há séculos. Esses atores
têm sua presença mantida nas economias africanas e seus imnpactos são sentidos somente
fora da África.
A adição de países antes periféricos na economia mundial tem consequências nas
economias e na política da África. O cenário internacional não é o mesmo do século XIX.
Países em desenvolvimento querem, agora, seu quinhão dos recursos naturais africanos.
O petróleo é o recurso natural mais relevante no norte da África e de alguns países da
África subsaariana. Os atores econômicos que atuam nesses países são, predominantemente,
transnacionais. A Nigéria é um dos países com as maiores reservas petrolíferas do mundo.
Empresas transnacionais como as Sete Irmãs exploram os ricos recursos petrolíferos do país,
principalmente na região do delta do rio Níger. Os recursos ali explorados, contudo, não são
repassados às populções locais, que se encontram insurretas em relação ao governo central.
Aquele lugar é, portanto, subordinado à capital nigeriana, cujas decisões a respeito do
petróleo estão subordinada aos centros de decisão das transnacionais. A riqueza natural
encontra-se, desse modo, nas mãos das elites nigerianas em Abuja e nas mãos dos acionistas
das empresas transnacionais que exploram o petróleo. Angola é outro país rico em petróleo.
O fim da guerra civil possibilitou a prospecção de recursos em território angolano por
empresas transnacionais. Nesse país, destaca-se a persença de uma transnacional de um país
emergente: a Petrobrás. A Petrobrás explora petróleo em Angola, e a similiaridade da
plataforma continental angolana em relação à brasileira indica que existe a possbilidade de
haver petróleo na camada pré-sal angolana. O rápido crescimento da indústria petroleira
nesse páis tornou Luanda uma das capitais mais caras do mundo. O benefício, contudo, não
atinge o interior do país. Expatriados e funcionários de transnacionais movem a economia de
Luanda, que importa quase todos os produtos ali consumidos. O Sudão é outro país em que a
produção de petróleo decola. Transnacionais chinesas como a SINOPEC atuam no território
sudanês, avessas às violações de direitos humanos perpetradas pelo governo de Cartum. A
China leva ao Sudão a tecnologia, os materiais e até mesmo a mão-de-obra empregada no
país. Como nos casos anteriores, o Sudão tem as rendas auferidas pelo petróleo concentradas
nas elites árabes do norte do país, enquanto o restante do país mantém-se na pobreza. A
exploração petrolífera na África, portanto, não proporciona a industrialização desses países,
e as rendas petrolíferas não atingem todas as sociedades. Do mesmo modo, a avidez de
países como a China por energia defende elites violadoras de Direitos Humanos nos países
ricos em petróleo. Empresas, como a Petrobrás, contudo, podem ainda explorar recursos em
locais como Angola, que saiu há poucos anos de uma guerra civil fratricida.
O fim da guerra civil em Moçambique possibilitou a exploração de metais não
ferrosos no país. As vastas jazidas de bauxita e a presença de uma grande hidrelétrica na
região permitem que o país possa produzir alumínio. Contudo, o país carece de quadros
técnicos e de tecnologia que tornem possível a exploração das riquezas naturais do país. O
porto de Beira é um importante fixo que permite a Moçambique estabelecer fluxos de
escoamento do alumínio no mercado internacional. Os laços culturais entre Brasil e
Moçambique tornam mais fáceis a instalação de empresas como a Vale em território
moçambicano. Ao contrário do petróleo, a fabricação de alumínio em Moçambique é
atividade que impulsionaria outras atividades econômicas nesse país.
O diamante é um recurso presente em países da costa oeste da África. Costa do
Marfim, Libéria e outros países exportam diamantes para o mundo. A exploração, contudo,
não requer alta tecnologia e está a cargo de grupos políticos que controlam esses Estados
por meio da força. Os “diamantes de sangue” entram no mercado mundial, apesar das
violações de direitos humanos ocorridas durante a exploração. A produção na África do Sul e
em Botsuana utiliza outro modelo. A transacional De Beers usa técnicas modernas de
exploração de diamantes nesses países. A profundidade em que as gemas se encontram
requer a tecnologia de que pequenas empresas não dispõem. A exploração nessas áreas,
contudo, leva as riquezas para fora desses países, para os grupos belgas que controlam a
empresa monopolista. África do Sul é um país rico, também, em ouro. A exploração se dá por
empresas de grande porte, no mesmo modelo da exploração de diamantes.
A exploração de recursos minerais na África é uma oportunidade para empresas
brasileiras como a Vale e a Petrobrás. A exploração, contudo, não trouxe, historicamente,
impactos econômicos positivos aos países que receberam investimentos transnacionais, como
o Sudão e a Nigéria. A riqueza mineral trouxe, também, tensões políticas nesses países, em
que grupos políticos disputam, ainda hoje, os recursos oriundos dessa exploração. A entrada
de novos atores na África, como a China, cujos valores diferem dos ocidentais, reduzirá a
influência ocidental na região.