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Padrão de Resposta
O processo de urbanização brasileiro, devido à especificidade de formação de uma
Região Concentrada, tem que ser dividido, pois diferentes partes do território sofrem
processos diversos. Dessa forma, na Região Concentrada, nota-se a formação de uma
Grande Metrópole Nacional, São Paulo, duas metrópoles nacionais, Rio de Janeiro e
Brasília, e, de forma geral, uma tendência à desmetropolização, com formação de cidades
médias. Fora da Região Concentrada, há duas outras formas de urbanização, a que
caracteriza o Centro Oeste brasileiro e a que acarreta o processo de metropolização no
Norte e no Nordeste do país.
A Região Concentrada corresponde à área de desenvolvimento tradicional da
indústria, motivada por razões como proximidade do maior mercado consumidor. Essa
industrialização foi capitaneada pela região metropolitana de São Paulo e do Rio de Janeiro,
gerando rápido processo de urbanização e metropolização. No entanto, recentemente, houve
um processo de desconcentração concentrada das indústrias, que, por razões como incentivos
fiscais, terrenos mais baratos, sem distanciamento em demasia do mercado consumidor,
adentraram o interior e passaram para os estados mais diretamente influenciados pelo
Sudeste, qual seja, os do Sul. São exemplos dessa desconcentração concentrada as fábricas
automobilísticas da Renault e da Nissan que optaram por Curitiba, da Fiat em Betim e da
Toyota em Indaiatuba, respectivamente no Paraná, em Minas Gerais e no interior de São
Paulo. Essa desconcentração somada a uma opção por maior qualidade de vida gerou o
crescimento de cidades médias na Região Concentrada, que unem benefícios da urbanização,
sem as externalidades negativas das metrópoles.
O crescimento das metrópoles, em especial de São Paulo, que se distanciou das
demais, deve-se a concentração de valor dos serviços e, portanto, ao processo de
terceirização. No Rio de Janeiro, a concentração de valor liga-se aos serviços relacionados
ao petróleo, e, em Brasília, aos serviços públicos e aos voltados para o consumo, com
destaque para a homogênea classe de bem-remunerados funcionários públicos que trabalham
no Distrito Federal.
A urbanização do Centro Oeste, por outro lado, explica-se pela expansão da fronteira
agrícola sob domínio do complexo agroindustrial, em que se destacam as indústrias à jusante
e os serviços para a agroindústria, como os financeiros. Nesse sentido, houve um crescimento
de cidades médias que concentram esses serviços e indústrias de processamento, bem como
servem de residência para aqueles que trabalham no campo, caracterizando o meio técnicocientífico-informacional no campo, pois devido aos fluxos de informações permite-se a
separação entre o local de residência e o de trabalho.
No Norte e Nordeste do país, por seu turno, o Estado capitaneou o processo de
urbanização dos estados, e as indústrias surgiram por meio de pólos, como a Zona Franca
em Manaus e o pólo petrolífero de Camaçari na Bahia. Outros incentivos como o Projeto
Grande Carajás, os portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco, bem como a
refinaria de Abreu e Lima auxiliam a intensificar a importância desses pólos e das grandes
cidades que estão perto deles. Dessa forma, ao contrário da tendência nacional de
desmetropolização, há nessas regiões um processo de metropolização, com destaque para
Manaus e Belém, no Norte, e para Fortaleza, Recife e Salvador, no Nordeste.