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Padrão de Resposta
Tradicionalmente, o Brasil esteve submetido a limitações energéticas que impediram
um ciclo de industrialização precoce, que, em países como a Alemanha, foi possibilitado pela
presença de energia fóssil barata. O Brasil não é rico em carvão mineral, e a descoberta de
petróleo em Lobato, nos anos 1930, apesar de ter resultado em euforia, não foi seguida de
importante exploração terrestre.
No início do século XXI, no entanto, o Brasil depara-se com diversas opções de
investimentos energéticos, que podem vir a dar maior robustez a uma matriz já extensa e
diversificada. No caso hidrelétrico, a bacia amazônica representa o maior potencial
energético, embora a utilização ainda seja baixa em comparação a outras bacias. O melhor
planejamento e a tecnologia disponível atualmente permitem evitar a necessidade de áreas
de alagamentos extensas como anteriormente — evitando um caso como o de Balbina — e
obras como as das usinas do Rio Madeira, Santo Antônio e Jirau, devem produzir no futuro o
equivalente a meia Itaipu. No Rio Xingu, a Usina de Belo Monte é outra obra importante, e
prevê-se atualmente a possibilidade de parcerias para a construção de usinas na bacia
amazônica a montante do território brasileiro, com capital nacional, ou nas fronteiras,
seguindo o modelo binacional. A integração da rede elétrica com o Sul aumentará a
segurança do sistema e abastecerá a região concentrada.
A quase saturação da Bacia do São Francisco não impede que novas usinas sejam
instaladas, como as previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC); com menor
aproveitamento até agora, no entanto, os investimentos no Nordeste devem concentrar-se
na Bacia do Parnaíba. No Sul, a grande utilização da Bacia do Paraná também não impede
investimentos, visto que as variações altimétricas dessa bacia garantem grande eficiência em
relação à área alagada. Pequenas Centrais Hidrelétricas, de menor impacto relativo, já estão
em construção, como Mauá, no Paraná.
No campo da extração de petróleo, a vigorosa exploração da Bacia de Campos,
iniciada na década de 1970, agora prossegue com a descoberta de novas áreas e o
aprofundamento da tecnologia. A região que compõe as reservas do petróleo da camada do
pré-sal apresenta-se com enorme potencial, estendendo-se do litoral do Espírito Santo até o
litoral de Santa Catarina. É notável também a potencialidade das novas áreas do pós-sal, e a
tecnologia de exploração em camadas profundas permite que o Brasil busque novas
oportunidades de investimento na África, como já ocorre em vários países lusófonos.
A extração de gás apresenta também grande potencial; a extração no Campo de
Júpiter pode, em longo prazo, garantir a auto-suficiência, se associada também às reservas
de Urucu. A extração do gás natural no espaço marítimo oferece novas possibilidades, como
a instalação de usinas “off shore”, dado o menor custo dos cabos de energia em comparação
à instalação de dutos. Por fim, o projeto do Anel Energético da América do Sul, parte da
IIRSA, visa ligar os países produtores de gás do continente, como Bolívia, Venezuela e Peru,
aos consumidores, como o Brasil. O próprio duto Brasil-Bolívia pode ser ampliado, segundo
estudos recentes.
Controlador de todas as etapas necessárias para a geração de energia nuclear, o
Brasil combina esse recurso tecnológico com a presença de reservas de urânio,
principalmente as de Caetité. O potencial de enriquecimento do Brasil ainda é baixo, mas a
cooperação com a Argentina pode ser estendida rumo à suficiência para os dois países, no
futuro. O projeto de Angra III representa importante passo no planejamento energético
brasileiro.
A extração de carvão mineral concentra-se no Sul, especialmente em Criciúma, mas o
baixo teor de carbono do carvão brasileiro limita a eficiência dessa fonte.
A energia eólica, que ganha destaque com o PAC, pode ser importante área de
inovação para reforçar a matriz limpa e recebe investimentos no Rio Grande do Sul e no
Ceará.
A principal vantagem da matriz brasileira é sua característica relativamente limpa e
altamente renovável. Para além da geração elétrica, o etanol brasileiro reforça essas
características, sendo a eficiente produção da cana um ponto central, que se associa com a
eficiência garantida pela tecnologia — resultado na melhor relação entre energia, biomassa
e captura de carbono entre os biocombustíveis. Também investe hoje o Brasil em tecnologias
novas de biodiesel e inovações tecnológicas para o etanol.
No futuro, o Brasil deve constituir sua matriz energética de maneira variada, com
destaque para a hidroeletricidade e para os biocombustíveis, duas áreas em que o país
possui enormes vantagens e que são fontes limpas e renováveis. O pré-sal e a possibilidade
de um biocombustível produzido a partir da soja também terão impacto extremamente
positivo. Por fim, o longo prazo deve exigir a nuclearização, embora o eixo atual deva ser o
hídrico/petrolífero.