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Padrão de Resposta
A matriz energética brasileira é diversificada e, em grande medida, limpa. Enquanto a
matriz energética mundial é composta por cerca de 10% de fontes renováveis e 90% de
fontes não renováveis, a participação das fontes renováveis na matriz energética brasileira é
de cerca de 45,4%. O Brasil tem realizado diversos investimentos no setor de geração de
energia, considerado estratégico para projetos nacionais de desenvolvimento, e elaborado
tecnologias referentes às fontes renováveis e menos poluentes.
Em razão do alto nível de urbanização brasileira (cerca de 84,4%, segundo o último
censo do IBGE) e das características da matriz de transportes do país (rodoviarismo), o
petróleo continua representando a principal matriz energética atual, respondendo por cerca
de 28% do total da matriz energética brasileira. Entretanto, essa participação significativa do
petróleo causa impactos ao meio ambiente, sobretudo no que se refere ao aquecimento
global, o que tem incentivado a transição progressiva para fontes mais limpas.
Ainda no que se refere às fontes não renováveis, cumpre ressaltar o papel do gás
natural, do carvão mineral e do urânio na matriz energética brasileira. A participação do gás
natural na matriz energética brasileira (cerca de 10%) tem aumentado, sobretudo em razão
das reservas do Vale do Rio Urucu e da importação pelo gasoduto Brasil-Bolívia, mas ainda
é menor que a média mundial. Quanto ao carvão mineral, deve-se destacar que o Brasil
detém grandes reservas (principalmente no Rio Grande do Sul), mas que o carvão mineral
brasileiro é de baixa qualidade. Por isso, a participação dessa fonte na matriz energética
brasileira (aproximadamente 5%) também está abaixo da média mundial (mais de 20%).
Ademais, as carvoarias causam impactos ambientais significativos, sobretudo em relação ao
desmatamento. Por fim, o Brasil possui reservas de urânio em Caetité e em Santa Quitéria,
além de controlar a tecnologia para a exploração dessa fonte. Ainda assim, a participação
da energia nuclear na matriz energética brasileira (cerca de 1,4%) também se encontra
abaixo da média mundial. Ademais, a fonte nuclear acarreta impactos ambientais relativos à
questão dos resíduos e dejetos nucleares e pode, inclusive, ter impactos mais severos em
acidentes ou vazamentos como o de Fukushima.
No que se refere às matrizes energéticas renováveis, cumpre ressaltar que a sua alta
participação no total da matriz energética brasileira (45,4%) se deve ao peso da
hidroeletricidade, dos produtos da cana de açúcar e, ainda, da lenha e do carvão vegetal. O
Brasil tem uma extensa rede hidrográfica, o que confere ao país um dos potenciais
hidrelétricos mais elevados do mundo. Ainda que a construção de hidrelétricas acarrete
questões ambientais relativas à construção de barragens e ao alagamento de áreas, a
energia hidrelétrica é considerada limpa e renovável. As bacias do Paraná e do TocantinsAraguaia abrigam as maiores hidrelétricas em funcionamento no país, respectively
“Itaipu Binacional” e “Tucuruí”. Além disso, há diversas hidrelétricas projetadas ou em
construção, sobretudo no Norte, região que pode ser considerada a fronteira elétrica
brasileira. É o caso das usinas de Belo Monte, Tapajós e Jirau, por exemplo. A matriz
hidrelétrica responde por quase 15% do total da matriz energética brasileira e por quase
75% da matriz elétrica do país.
Com o relançamento do PROÁLCOOL e com os recentes investimentos em
tecnologia “flex fuel” para automóveis, o etanol e os produtos da cana de açúcar têm
representado uma das principais matrizes energéticas atuais, chegando a mais de 17% do
total da matriz energética brasileira. Muitos argumentam que essa matriz pode impactar o
meio ambiente por meio do esgotamento dos solos e ameaçar a segurança alimentar, ao
desviar terras agricultáveis para a produção de combustível. O Brasil tem-se empenhado em
demonstrar que os produtos da cana de açúcar e o etanol não representam uma ameaça à
segurança alimentar e, na realidade, são fontes mais limpas e menos poluentes que os
combustíveis fósseis. Nesse sentido, o Brasil promove o desenvolvimento do etanol em
terceiros países e elabora projetos relativos ao etanol celulósico e ao uso do etanol na
aviação.
A lenha e o carvão vegetal ainda têm um peso significativo (cerca de 10%) no total
da matriz energética brasileira. Apesar de serem consideradas renováveis, essas fontes,
utilizadas majoritariamente em termelétricas, não são muito eficientes. Além disso,
favorecem o desmatamento e geram gases poluentes, o que tem encorajado o uso de
matrizes mais eficientes e limpas.
Ainda que não tenham participação significativa na matriz energética brasileira, as
fontes solar e eólica têm grande potencial para desenvolver-se no país. No geral, o que
impede sua maior utilização são os custos elevados associados à instalação desse tipo de
matriz. Mesmo assim, o Brasil tem centrais eólicas relevantes em localidades como Osório
(RS), Cabo Frio (RJ) e Fortaleza (CE), além de uma crescente utilização residencial de
energia solar em diversas regiões do país.
O Brasil é um país rico em recursos naturais, que são entendidos pela geopolítica
como recursos de poder. Para assegurar a manutenção e a sustentabilidade do
desenvolvimento, diversos programas nacionais têm priorizado o setor de geração de
energia. O Brasil é rico em fontes não renováveis, como indicam as significativas reservas
de petróleo na plataforma continental (Bacia de Campos, Espírito Santo e Bacia de Santos)
e os recentes investimentos na exploração da camada pré-sal. Por outro lado, a matriz
energética também é composta por fontes renováveis, em razão do peso da
hidroeletricidade e do pioneirismo brasileiro no setor de etanol. Em suma, pode-se
argumentar que a matriz energética brasileira é mais equilibrada que a média mundial e que,
no contexto atual, se deve buscar minimizar os impactos ambientais da geração de energia.