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Padrão de Resposta
Desde, pelo menos, a Revolução Industrial, o fator energia constitui um dos principais
elementos para a promoção do desenvolvimento socioeconômico dos Estados. Nesse sentido,
faz-se importante entender quais as perspectivas de três das maiores potências energéticas do
mundo contemporâneo quanto ao seu futuro energético, e como estas se ajustariam, ou não,
ao paradigma moderno do Desenvolvimento Sustentável.
Os Estados Unidos da América são a mais tradicional potência energética do planeta
desde, pelo menos, a “Segunda Revolução Industrial”, quando despontaram os usos das eletricidade e do petróleo como bases da matriz energética global. A exploração de petróleo no país
é bastante difundida, sendo a base da “sociedade do automóvel”. Assim, embora sejam grandes produtores, os EUA são, também, grandes importadores do “ouro negro”, o que justifica
grande parte da sua atuação geoestratégica global. Não obstante, apesar da grande relevância
do petróleo na matriz-energética norte-americana, esta é bastante diversificada, contando
com boa participação de hidroeletricidade, energia nuclear e, inclusive, significativa presença
de fontes renováveis.
Para o futuro, a grande aposta dos EUA recai sobre a aclamada “revolução do xisto”. O
xisto é uma fonte não tradicional de petróleo e gás, os quais são extraídos por meio de procedimentos complexos de “fratura hidráulica” e “perfuração horizontal”. A grande vantagem do
xisto é que ele proporciona hidrocarbonetos de boa qualidade e baixo custo, principalmente
gás. Nesse sentido, principalmente em um contexto de crise econômica, se afigura como ótima
alternativa, reduzindo os custos de produção e gerando crescimento e emprego. Todavia, o
xisto tem um grande problema que é seu impacto ambiental, uma vez que o seu processo de
extração tende a contaminar lençóis freáticos, comuns nas áreas de exploração – bacias sedimentares. Ademais, alguns especialistas apontam que os campos de xisto tendem a se esgotar
muito rapidamente, fazendo-se necessário realizar, constantemente, novas perfurações, a fim
de manter-se o nível de produção.
No que concerne à China, esta assumiu, em 2013, o status de maior importador mundial de petróleo – o que se deve, em grande medida, à diminuição das importações norteamericanas, tanto por conta do xisto quanto pelo contexto de baixo crescimento naquele país.
Tradicionalmente, a China abastece sua “fábrica do mundo” com energia proveniente de termoelétricas a carvão. No entanto, devido à imensa poluição gerada por essa fonte, que já afeta
sobremaneira a saúde e a qualidade de vida da população chinesa e provoca protestos por
parte da comunidade internacional devido a seus efeitos relativos às mudanças climáticas, o
governo chinês vem reduzindo a participação do carvão em sua matriz energética. A matriz
chinesa, vale notar, também é significativamente diversificada, com destaque para a hidroeletricidade. Encontra-se na China a maior usina hidroelétrica do mundo, a usina de Três Gargantas. Energia nuclear também exerce papel relevante, e as fontes renováveis ganham cada vez
mais espaço dentro do plano chinês de mitigar os impactos provocados pelo carvão.
Tendo assumido o posto de maior importador mundial de petróleo, a China deve mantê-lo por algum tempo, pois seu incessante crescimento econômico demanda quantidades
cada vez maiores de energia; ademais, localizam-se no país as maiores reservas mundiais conhecidas de xisto. Embora a produção de petróleo e gás não convencionais no gigante asiático
ainda não sejam significativas, podem vir a ser amplamente exploradas no futuro. Por enquanto, todavia, a China busca assegurar seu suprimento de hidrocarbonetos por meio de parceiros, especialmente africanos. Tudo indica, portanto, que a estratégia energética chinesa para o
futuro baseia-se em combustíveis fósseis, com potencial impacto sobre o clima e o meio ambiente como um todo.
Em relação à Rússia, esta detém a oitava maior reserva mundial de petróleo, mas é o
maior exportador global do hidrocarboneto. Ademais, cerca de ¼ das reservas mundiais de gás
natural se encontram naquele país, tornando-o um player fundamental da geopolítica energética contemporânea: a Rússia é fornecedora fundamental para a Europa, tendo recentemente
inaugurado o gasoduto Nordstream, que liga o país à Alemanha passando pelo Mar Báltico. Há,
ainda, perspectivas de construção de um gasoduto ligando a Sibéria oriental à China.
Internamente, a Rússia aproveita suas enormes reservas para alimentar a economia
nacional, que se baseia, em grande medida, na própria indústria energética. Não há, nesse
sentido, grandes incentivos para uma eventual transformação da matriz russa.
Uma breve análise do panorama energético dessas três potências permite-nos perceber algumas questões. Em primeiro lugar, que os EUA, com o xisto, caminham para uma redução da sua dependência energética global, o que pode ter efeitos sobre sua estratégia de inserção internacional no futuro próximo. A China, por outro lado, caminhando para tornar-se a
primeira economia global, vem aumentando seu consumo de energia, bem como suas importações, mas isso pode mudar, caso suas reservas de óleo e gás não convencionais passem a ser
amplamente exploradas. A Rússia, por sua vez, consolida-se, cada vez mais, como potência
exportadora de hidrocarbonetos.
Ante o exposto, fica claro que os combustíveis fósseis ainda serão a principal fonte energética
global durante algum tempo, o que pode contrariar o paradigma do desenvolvimento sustentável, já que estes causam alto impacto ambiental. Será necessário, portanto, que se encontrem formas de mitigar os efeitos deletérios de tais combustíveis, combinando, na composição
das matrizes energéticas dos países, seu uso com o de fontes limpas.