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Padrão de Resposta
De acordo com Saskia Sassen, zonas de processamento de
exportações, centros bancários “offshore" e cidades globais são os
três tipos de lugar que melhor simbolizam as novas formas da
globalização econômica. As zonas de processamento de exportação
geralmente são espaços com regime aduaneiro diferenciado,
próximas a portos, em que há facilidades para investimento
estrangeiro e a mão de obra é barata. Aí se instalam fábricas
estrangeiras, que não pagam impostos sobre a importação dos
insumos, utiliza-se a mão de obra barata do local e exporta-se o
produto para mercados com maior poder aquisitivo. Comum em
países que adotavam o modelo de plataforma de exportação, a
produção desse local não se destina aos consumidores locais. A
cidade de Shen Zhen, no delta do Rio das Pérolas, na China,
próximo a Hong Kong e a Macau, é um exemplo emblemático de
zona de processamento de exportação. A transformação da vila de
pescadores nesse tipo de zona era parte do projeto de 4
modernizações, de Deng Xiaoping, implementado a partir de 1978.
Exemplos atuais desse tipo de zona podem ser encontrados na
costa do Vietnã.
Os centros bancários “offshore” (CBO) têm funções
bastante diferentes, embora relacionadas à existência de zonas de
processamento de exportações. Os CBO são usados para fazer
transações bancárias de modo a se pagar a menor quantidade de
impostos possível, por isso, se localizam em paraísos fiscais, onde
a regulação financeira é pouco rígida. Empresas são constituídas
nesses lugares, fundos de investimento e bancos também utilizam
esses lugares. Embora possam ser usados por atividades ilícitas,
como lavagem de dinheiro, boa parte das transações que fazem são
lícitas, apenas se utilizam de brechas nos diferentes sistemas
tributários para pagar a menor quantidade possível de impostos.
Com a dispersão ainda maior da produção nesse modelo de
produção pós-fordista, transações internacionais são múltiplas e o
fluxo crescente, o que reforça o papel dos CBO, como é o caso do
Panamá e das Ilhas Virgens Britânicas.
As cidades globais são outro lugar símbolo da atual
globalização econômica e têm características como ser centro de
atividades especializadas, ser centro de tomadas de decisões,
possuir alta densidade demográfica e ser intermediário entre as
suas regiões e a economia mundial. Alguns serviços que exigem
muita escala e que também tem economia de escopo, costumam se
concentrar nessas cidades, como serviços financeiros mais
específicos (bolsas de valor, bancos de investimento), serviços de
marketing, pesquisa e desenvolvimento e também audiovisual. São
centro de decisões, abrigando sede das principais empresas,
escritórios de organizações internacionais e agências
governamentais. A densidade demográfica seria expressão
territorial dessa concentração nas cidades globais. Além disso, são
responsáveis pela intermediação das relações de sua região
(hinterlândia) e a economia global, abrigando filiais de empresas
internacionais, os principais aeroportos e firmas de importação e
exportação.
A hierarquização das cidades globais brasileiras, em
grande medida, reflete isso. São Paulo é uma cidade Alfa, pois
vincula uma região primária à economia global, presta serviços
financeiros específicos, como a bolsa de valores, é sede de uma
proporção razoável das maiores empresas do país e é densamente
povoada. O Rio de Janeiro já é uma cidade Beta, pois liga uma
região secundária a economia global, tem alta densidade
populacional, presta serviços específicos como em produção
audiovisual e é sede de grandes empresas e de agências
governamentais. Belo Horizonte, por sua vez, é uma cidade gama-,
pois é densa, recebe filiais de empresas multinacionais (como
Google e Fiat), presta alguns serviços específicos e é densamente
povoada. A importância das três cidades e também as diferenças
entre elas também aparecem no REGIC do IBGE, que as classifica
como grande metrópole nacional, metrópole nacional e metrópole.
O ranking Globalization and World Cities (GaWC) também tem a
categoria de cidades autossuficientes e suficientes, que são cidades
com inserção relativamente autônoma na economia mundial (não
dependem muito de outras cidades globais). Nessas categorias se
encontram Campinas e Brasília, o que contrasta com a classificação
do IBGE de capital regional e metrópole nacional respectively.
Saskia Sassen considera que os portos eram locais
fundamentais no século XIX; eles, ainda, o são. Embora boa parte
da atividade econômica atual seja informação, cuja transmissão
prescinde dos portos, boa parte da economia ainda depende de
produtos físicos que são, em larga medida, transportados por
navios, precisando dos portos. A conteinerização e outros avanços
técnicos permitiram uma redução dos fretes e uma maior
distribuição territorial da produção. Esses processos se reforçam e
a cada etapa de produção um produto pode depender de portos.
Quanto mais aberto é o país, maior tende a ser a importância dos
portos. A China, por exemplo, que importa, processa e exporta
produtos tem mais de 5 dos 10 principais portos do mundo. A
circulação preside a produção, como afirmou Milton Santos.