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Padrão de Resposta
Na classificação geográfica de Aziz Ab’Saber, destacam-se
dois domínios, o do Cerrado e o da Caatinga, cada qual com suas
particularidades de clima, vegetação, regime hídrico e atividades
econômicas neles desenvolvidas. Como todos os demais domínios
brasileiros, o Cerrado e a Caatinga possuem elevada
biodiversidade, tendo ambos já perdido cerca de 50% de sua
cobertura vegetal original.
Quanto ao clima, o Cerrado é caracterizado pelo tropical
úmido; e a Caatinga, pelo semiárido. Ambos os domínios possuem
elevadas temperaturas médias, encontrando-se afastados do
litoral. O clima do Cerrado é condicionado pela sua localização,
mormente nos chapadões centrais. O mesmo ocorre com a
Caatinga, que se encontra localizada nas depressões
interplanálticas da região Nordeste. No Cerrado, so meses mais
quentes do ano são os do verão, com esparsas frentes frias no
inverno pelo deslocamento das massas de ar polares.
Já no que concerne ao regime hídrico, tanto o Cerrado
quanto a Caatinga possuem estações secas bem demarcadas,
apesar de o índice pluviométrico da Caatinga ser bem menor que o
do Cerrado. As chuvas do Cerrado concentram-se nos meses de
verão, pela expansão da massa equatorial continental. Entre os
meses intermediários do ano, tem-se a estação seca. No Cerrado,
nascem diversos rios nacionais, como o Araguaia e o Tocantins. Já
na Caatinga, há breve período de chuva também nos meses finais
do ano, mormente entre dezembro e fevereiro, meses alcunhados
de “inverno” pelos sertanejos. Há marcado período de seca nos
meses intermediários do ano. Outrossim, a Caatinga destaca-se
pela presença de certos rios intermitentes e alguns perenes, como
o São Francisco, que nasce nas regiões úmidas da Serra da
Canastra, em Minas Gerais.
Tanto o clima quanto o regime hídrico condicionam a
vegetação do Cerrado e da Caatinga, com predomínio de vegetação
arbóreo-arbustiva. No Cerrado, têm-se campos limpos, com a
vegetação arbustiva; campos sujos, com vegetação arbustiva e cerca
presença de árvores; e os cerradões, com árvores de maior porte.
Nas zonas limítrofes entre o Cerrado e a Amazônia maranhenses,
tem-se a formação das matas de cocais. Além do clima e e do regime
hídrico, o solo do Cerrado, consideravelmente ácido, condiciona
sua formação vegetacional, cujas árvores possuem, em geral, uma
casca grossa e resistente ao fogo, baixo porte e uma forma de
troncos e galhos retorcidos. Na Caatinga, a baixa pluviosidade, a
intempérie física do solo e as elevadas temperaturas condicionam
uma vegetação arbóreo-arbustiva frequentemente caducifólia, com
presença de espinhos. Há, ademais, considerável presença de
cactáceas nesse domínio.
No que concerne às principais atividades econômicas
desenvolvidas, em ambos predomina a agropecuária. A emergência
do MTCI permitiu a moderna agricultura no Cerrado, em razão de
seu relevo plano, que favorece a mecanização. Com o processo de
calagem do solo, as extensas propriedades do Cerrado produzem
soja, milho e algodão. Ademais, desenvolve-se a pecuária na região.
Primeiramente, essa atividade produtiva expandiu-se pelos
estados da região Centro-Oeste e, a partir da década de 1990, para
o MATOPIBA. Já na Caatinga, tem-se, historicamente, pequenas
propriedades policultoras, pouco produtivas e de caráter de
subsistência. Todavia, a emergência do MTCI permitiu o
desenvolvimento de fruticultura irrigada no semiárido, pois a baixa
pluviosidade inibe o desenvolvimento de pragas. Essa fruticultura
é desenvolvida nos vales dos rios São Francisco, após os trabalhos
da CODEVASF, do Açu e do Gurgueia.
A emergência da agricultura moderna no Cerrado e na
Caatinga, mormente para exportação, impulsionou a formação de
CAIs nesses domínios, com uma integração à montante e à jusante
do processo produtivo. Outrossim, ganharam relevância as cidades
médias nesses domínios. Todavia, também se impulsionou o
desmatamento nos mesmos, se sorte que ambos já perderam cerca
de metade de suas respectivas coberturas vegetais originais, o que
prolonga o período de estiagem nos dois locais.