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Padrão de Resposta
A rede urbana é um conjunto de centros urbanos
funcionalmente articulados. Essas redes, que não existem
isoladamente, podem e costumam interagir entre si, o que cria
dificuldades para delimitar e tipificar seus modelos. No caso do
Brasil, por exemplo, onde a urbanização se deu de modo tardio e
acelerado, as redes urbanas são marcadamente metropolitanas,
apesar de exceções notáveis, como a rede urbana da região sul,
mais equilibrada. O caso brasileiro é bastante ilustrativo para a
concepção de rede urbana como resultado da interação entre
homem e natureza, perfazendo o que Milton Santos chamou de
Espaço Usado, produto da territorialização das técnicas que
viabilizam a formação dos referidos arranjos reticulares.
Uma rede urbana pode ser entendida através de diversas
categorias de análise. Podem ser analisadas de acordo com seu
processo de formação, o que diferencia as redes urbanas antigas
(Europa Ocidental) e recentes (América Latina e África). Também
podem sê-lo pelo tamanho dos centros, que classificariam redes
mais homogêneas (sul do Brasil) e heterogêneas (Amazônia, que é
macrocéfala). Outra possibilidade são suas densidades: a rede
urbana pode ser densa (região polarizada pelo Rio de Janeiro, com
relações de tipo city-ness) ou pouco densa (região polarizada por
Brasília, com relações mais horizontalizadas de tipo town-ness
com o amplo entorno). As redes podem, ainda, ser analisadas pelas
funcionalidades: a rede do Meio Norte tem, em Teresina, um centro
de prestação de serviços médicos e educacionais.
Como posto, território é espaço usado. Desse modo, a forma
como os núcleos urbanos interagem é um reflexo do processo de
construção da realidade espacial. Sua natureza é dialética,
portanto, é atestada pela evidente relação entre territorialização
das técnicas e seus usos. A existência de próteses no território tais
como infraestrutura física ou mesmo digital favorece uma maior ou
menor concentração. No Brasil, o exemplo de São Paulo é
ilustrativo: por meio da acumulação de capital monetário e físico, a
cidade transformou-se em nossa "irrecusável metrópole nacional",
como posto por Milton Santos. A rede urbana, portanto, é produto e
produtora de espaço geográfico, influenciando atores como:
Estado, empresários, trabalhadores e movimentos sociais.
Os sistemas reticulares urbanos surgem de interações
espaciais determinadas pelas técnicas e pelas funcionalidades. A
depender destes fatores, podem as redes urbanas organizar-se de
modo: dendrítico (centros articulados a cidades médias, como na
Amazônia); solar (um centro articulado a uma grande área, como
Brasília); linear (em forma de linha, como a rede urbana chilena, em
região de características físicas peculiares); Christalleriano
(concepção idealizada de equilíbrio entre os centros, semelhantes à
rede urbana do sul do Brasil); circular; ou reticular (de modo menos
ordeiro, o que tende a ser mais comum em áreas mais densas).
Desse modo, importam às redes o "onde" e o "como", uma vez que
as características naturais e espaciais podem favorecer ou
dificultar suas formações.
Produto de sua história, o espaço geográfico determina uma
relação evidente entre urbanização e formação das redes urbanas.
O Brasil, por exemplo, viveu uma urbanização terciária e tardia, que,
de modo geral, favoreceu a formação de uma rede urbana
macrocéfala, com destaque para a centralidade de São Paulo, onde
historicamente se concentrou o parque industrial e os serviços
especializados. Na Europa, onde o processo se arrastou por
séculos, foi possível formar redes mais equilibradas, ao passo que,
na África Subsaariana, a formação acelerada de redes
macrocéfalas tem sido a norma, o que reforça a necessidade de
cumprimento do ODS 11 (cidades justas e sustentáveis).
Outras teorias explicativas para o fenômeno das redes
urbanas são ilustrativas. Segundo Taylor, por exemplo, as redes
urbanas são produto de influências exercidas entre centros
urbanos, uns sobre os outros, independentemente de estarem em
seus entorno, aproximando-se do que Milton Santos chamou de
verticalidades. Por sua vez, Christaller argumenta que a natureza
das redes urbanas é, antes de tudo, marcada pela preponderância
da proximidade, no que Milton Santos chamaria de
horizontalidades. De todo modo, sendo as técnicas mediadoras das
relações entre homem e natureza, as redes urbanas são entendidas
como a materialização espacial das interações entre as cidades.
Cidades estas que são caracterizadas pela compacidade, muito
embora inexista uma definição universalmente aceita de cidade.