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Padrão de Resposta
A atual divisão regional do Brasil não harmoniza com as
divisões naturais do território, como ocorreu na primeira divisão
pelo IBGE e na proposta de Pedro Geiger. Entretanto, Azis Ab’Saber
dividiu o território em domínios morfoclimáticos, que considera a
vegetação e as características ecológicas de forma mais específica
que a divisão em biomas, que tem enfoque no relevo, dividindo as
áreas de transição distintamente. Na zona tropical equatorial,
Ab’Saber caracteriza o domínio amazônico, área de vegetação
relativamente homogênea: folhas latifoliadas para
evapotranspiração, chuva regular o ano todo, predomínio de
vegetação de alto porte (apesar da divisão em mata, igapó e
várzea), clima equatorial, com altas temperaturas, alta
biodiversidade, solos rasos e não tão férteis. Ali, a penetração
humana é recente, mas tem sido rápida após a década de 1970,
quando as rodovias, em especial a Transamazônica, tornaram-se
vetores de desmatamento no ocidente do domínio, no que hoje é
parte do “Arco do fogo”, onde a legislação, menos restritiva, permite
a cultura da soja. Essa área é a menos desmatada entre os
domínios, mas sua importância resulta que o “ponto de não retorno
de desmatamento” ali pode estar próximo, seu desmatamento
geraria erosão hídrica, savanização do cerrado (pelos rios
voadores), erosão do solo (pela chuva) e alteração climática em
todo o planeta devido ao depósito de carbono. No domínio
caatinga, que inclui maior parte do Nordeste, parte de Minas Gerais,
a vegetação é cactácea, caducifólia, com espinhos e mecanismos
que armazenam água durante as longas estiagens, a chuva é
irregular, ocorrendo no “inverno”, e há secas prolongadas quando
há El Niño. O solo é pedregoso, sofre intemperismo físico (na
Amazônia, há químico). Nesse domínio, a desertificação poderia
ocorrer, além de lixiviação e perda do grande endemismo.
A caatinga está sendo muito desmatada recentemente,
restando apenas 13% da vegetação original, o clima ali é tropical
semiárido. No Cerrado, têm-se troncos retorcidos e raízes
profundas, além de solos ácidos. As raízes formam “florestas
invertidas” que acumulam água para que a metade do ano sem
chuva não seja prejudicial às espécies. A importância do cerrado
como “berço das águas” é extraordinária, mas não tem sido
observada, pois o domínio tem sido devastado em razão de
empreendimento agroindustriais* para a plantação de soja, cana e
milho, a ocupação é recente, data da “Revolução Verde” que
possibilitou produtividade no latossolo por meio de tecnologia de
calcário posto no solo, por meio da Embrapa na década de 1970. A
recente devastação, que pode comprometer a oferta de águas em
todo o país, contrasta com a antiga devastação na caatinga, onde a
pecuária chegou quando leis impediram a criação de gado na Zona
da Mata, que foi reservada à cultura da cana.
Na pradaria, o solo tem sofrido arenização, pois após longo
período de utilização, no Rio Grande do Sul, do espaço para
pecuária extensiva, preservando o solo, a cultura de soja tem
aumentado, tal como o desmatamento da região. O clima tem
pluviometria regular e bem distribuída, é tropical úmido, sofrendo
maior impacto da Massa Polar Atlântica, a gramínea prevalece. O
domínio morfoclimático das araucárias inclui parte significativa do
Paraná e parte de São Paulo e está quase completamente
devastado devido à antiga antropização no litoral. O clima tropical
de altitude conta com muita chuva e bem distribuída, a vegetação é
menos diversa, com muitos pinheiros. O desmatamento serviu para
a exportação de madeiras e o solo de terra roxa e fértil foi base
para a cafeicultura no século passado. O domínio da Mata dos
Cocais faz a transição entre caatinga e amazônico, contando com
espécies como palmeiras, babaçu e coqueiros. A devastação
prejudica ambas a caatinga e a floresta amazônica e foi motivada
para industrialização de produtos extrativistas. A zona de transição
do bioma Pantanal não é considerada um domínio morfoclimático,
devido à heterogeneidade ecológica nessa região, que é entendida
como parte do extenso domínio do cerrado. A Mata Atlântica
tampouco existe como domínio, mas os Mares de Morros e a
Araucária são analisados por Ab’Saber.