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Padrão de Resposta
O Censo de 2022, cujos resultados foram apresentados
recentemente pelo IBGE, indica um crescimento demográfico de
6,5% da população brasileira, menor, portanto, do que o próprio
instituto projetava e resultado mais baixo da série histórica (desde
o Censo de 1872). A redução do ritmo de crescimento da população
brasileira pode ser explicada por diversos fatores: primeiramente,
houve uma redução da taxa de fertilidade da mulher brasileira
(típico da 3ª fase do Modelo de Thompson), muito próximo ao
limite da taxa de reposição natural (2,1 filhos/mulher), explicado
pela maior inserção da mulher no mercado de trabalho, maior
acesso a métodos contraceptivos e alteração de padrões culturais
(planejamento familiar). Ademais, com o aumento da expectativa
de vida, há maior probabilidade de óbito, situação tristemente
agrava pelos efeitos da Pandemia de Covid-19 (número
anormalmente alto de óbitos entre 2020 e 2022). Também é válido
apontar que, desde o último registro (2010), houve maior saída de
emigrantes do que ingresso de imigrantes, com a comunidade
brasileira no exterior na casa de 5,5 milhões de pessoas, todos
fatores que contribuíram para que a população brasileira,
atualmente, seja contabilizada em 203 milhões de pessoas.
Outro dado bastante relevante do levantamento é o
crescimento de cidades médias, aquelas com população entre 50 e
750 mil pessoas (com aumento médio quase duas vezes superior
ao da média nacional). Esse fenômeno pode ser explicado pela
intensificação do que Milton Santos descrevia como
“desmetropolização”: o aumento das cidades médias em ritmo
maior do que o das metrópoles. Assim, fatores expulsivos das
grandes cidades, especialmente metrópoles (como deterioração
dos níveis de segurança pública, trânsito, especulação imobiliária,
encarecimento de bens e serviços) concorrem com fatores
atrativos das cidades médias (serviços públicos de qualidade
superior, menor carestia, níveis mais aceitáveis de segurança e
trânsito). Ademais, observa-se um aprofundamento da
“interiorização” do Brasil, com um crescimento espetacular de
cidades médias do complexo agroindustrial das commodities
brasileiras (Sinop, Alta Floresta, Lucas do Rio Verde, Catalão,
Santarém, Barreiras, dentre outras). É necessário apontar, também,
que o aprimoramento do MTCI permite a fixação de residência em
lugares mais distantes dos grandes centros (ex. a Pandemia de
Covid-19 também intensificou o trabalho remoto), graças ao
acesso mais facilitados inclusive nas cidades pequenas e médias
e, inclusive, no meio rural. Esses mesmos motivos contribuem para
a compreensão do fenômeno do encolhimento populacional de
municípios-sede de regiões metropolitanas, como Porto Alegre
(RS), Salvador (BA) e Belém (PA), ao passo que cidades médias do
entorno das metrópoles (Canoas e Lauro de Freitas, por exemplo),
registraram crescimento. Evidencia-se que o inchaço dessas redes
urbanas chegou a um patamar máximo quando se consideram os
centros das redes (Regiões Metropolitanas), provocando um
transbordamento populacional em direção as cidades do entorno
mais imediato, um fenômeno que pode ser descrito, também, como
“periferização”. Registre-se, todavia, que não foram todas as
metrópoles que encolheram: Brasília e São Paulo cresceram, ainda
que, no caso de SP, tenham crescido em ritmo mais acelerado as
cidades médias do entorno imediato e das regiões metropolitanas
circundantes (São José dos Campos, Campinas, Baixada Santista),
reforçando a tendência de desmetropolização, interiorização e
periferização.