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Padrão de Resposta
a) O conceito de América Latina é criação da geopolítica francesa, Napoleão III buscava aproximar-se do continente na tentativa de contrabalançar a influência inglesa, para tanto criou um conceito que objetivava aproximar os latinos em deterimento dos anglosaxões, arquitetava -se uma comunidade latina, que incluiria a França, em oposição à anglo-saxã. O auge da política americana de Napoleão III ocorreu quando ele estabelece uma coroa no México e coloca em seu trono Maximiliano, que logo seria assassinado por nacionalistas mexicanos.
Embora o conceito tenha surgido de mentes européias, sua racionalidade já se fazia presente desde o início do século XIX (década de 1820) com o ideal bolivariano e a Conferência do Panamá, o panamericanismo bolivariano era latino -americano, opunha -se à Europa conquistadora. A lógica do “libertador” era fortalecer o continente contra a ameaça recolonizadora.
O conceito de sul-americanidade pode ser traçado no Brasil com a política do barão do Rio Branco. Panamericanista, Rio Branco buscava o fortalecimento da América do Sul. Homem de grande visão, percebia a necessidade de mecanismos de concertação regional, é daí que surge o pacto ABC de cordial inteligência entre Argentina, Brasil e Chile. Rio Branco buscava aliança com os Estados Unidos, principal parceiro comercial do Brasil e já então grande potência mundial, sem se descuidar de suas relações imediatas, ou seja, de sua circunstância geográfica que é a América do Sul.
b) A circunstância do Brasil é a América Latina e, de modo mais específico, a América do Sul, como escrevera Ortega y Gasset, “eu sou eu e minha circunstância e se não a salvo, não salvo a mim”. Portanto, a inserção internacional do Brasil passa necessariamente pela América do Sul, que é o espaço por excelência da diplomacia brasileira.
Já assim percebia o barão do Rio Branco que buscou ao máximo o bom entendimento com as nações vizinhas ao Brasil, fato que se pode verificar com a estabilização das fronteiras e solução das questões lindeiras. Para Rio Branco, o equacionamento de qualquer pendência de limites revestia-se de caráter prioritário, pois era condição que permitiria a consolidação do Brasil em seu espaço, eliminando possíveis atritos que poderiam desestabilizar a região, de sorte que o Brasil desde então não mais teria qualquer problema com seus vizinhos. O barão do Rio Branco consolidou um espaço de paz para o Brasil.
A diplomacia brasileira jamais se descuidou do espaço sul-americano, embora sua atuação tenha-se retraído em alguns momentos. É de se destacar, em finais da década de 1950, a Operação Panamericana de Juscelino Kubitschek, dessa experiência, em parte, surgiria a Associação Latino -Americana de Livre Comércio (ALALC) em 1960.
O Brasil sempre buscou apaziguar descontentamentos por parte de seus vizinhos, por meio da negociação diplomática os foi trazendo para sua esfera de influência, tal como fizera o barão do Rio Branco com o Uruguai, como foi feito com a Bolívia pelos acordos de Roboré e a ligação ferroviária, ou como se deu com o Paraguai com a construção da usina binacional de Itaipu, a construção da ponte da amizade e o escoamento da produção paraguaia pelo porto de Paranaguá.
O ápice da política sul-americanista brasileira aconteceria em meados da década de 1980, foi quando Brasil e Argentina re-democratizados aproximam-se, o que daria origem a vários acordos que resultariam no tratado de Assunção constituindo o Mercosul em 1991. A Argentina, de antiga rival no contexto geopolítico sul-americano, passaria a parceira de primeira ordem do Brasil.
A proposta da ALCSA em 1993, pelo embaixador Celso Amorim, de certa forma regata os ideais de Rio Branco na busca de uma inserção madura do Brasil no cenário internacional. De certo modo, a ALCSA é um meio para resguardar o continente da cooptação econômica pela potência do norte, é uma fo rma de contrabalançar a hegemonia estadunidense possibilitando maior poder de barganha à região.
É também importante recordar que na Constituição brasileira de 1988, em seu artigo 4º está escrito que o Brasil buscará a integração econômica, social e cultural com a América Latina.