Texto V – questões de 18 a 24
1 À época da independência, a economia colonial
podia ser descrita de maneira simplificada. Era
composta por: latifúndios voltados para a produção de
4 mercadorias exportáveis, como o açúcar, o tabaco, o
algodão; fazendas dedicadas à produção para o
mercado interno (feijão, arroz, milho) e à criação de
7 gado, estas sobretudo no norte e no sul; e centros
mineradores já em fase de decadência. Acrescente-se,
ainda, grande número de pequenas propriedades
10 voltadas para a agricultura e a pecuária de
subsistência. Nas cidades costeiras, capitais de
províncias, predominavam o grande e o pequeno
13 comércio. Os comerciantes mais ricos eram os que se
dedicavam ao tráfico de escravos.
A única alteração importante nessa economia
16 deu-se com o desenvolvimento da cultura do café. Já
na década de 30, o produto assumira o primeiro lugar
nas exportações. Mas o café não mudou o padrão
19 econômico anterior: era também um produto de
exportação baseado no trabalho escravo. Esse modelo
sobreviveu ainda por mais cem anos. Só começou a
22 ser desmontado após 1930. As conseqüências da
hegemonia do café foram principalmente políticas. O
fato de se ter ela estabelecido a partir do Rio de
25 Janeiro ajudou a consolidar o novo governo do país,
sediado nesta província. Se não fosse a coincidência
do centro político com o centro econômico, os
28 esforços da elite política para manter a unidade do
país poderiam ter fracassado.
J. M. de Carvalho. Fundamentos da política e da sociedade brasileiras. In: L. Avelar e
A. O. Cintra (orgs.). Sistema político brasileiro: uma introdução. Rio de Janeiro:
Fundação Konrad-Adenauer-Stiftung; São Paulo: Fundação UNESP, 2004, p. 23.
Partindo das informações do texto V e considerando a estrutura
econômica vigente no período colonial brasileiro, julgue (C ou E)
os itens subseqüentes.
-
O processo de colonização do Brasil, tal como o
ocorrido nas demais colônias ibero-americanas,
subordinou-se, em linhas gerais, ao processo de
surgimento do capitalismo europeu de base mercantil e
de sua afirmação ao longo da Idade Moderna. -
Latifúndio, escravidão e monocultura foram os traços
definidores da colonização portuguesa em terras
americanas, nela prevalecendo a produção voltada para
o mercado externo. -
Infere-se do texto que a existência de um mecanismo
definidor das relações de dominação e de dependência
entre metrópoles e colônias — o pacto colonial —
inviabilizava, na prática, o desenvolvimento, na
colônia, de atividades econômicas não diretamente
voltadas para a exportação. -
A agroindústria açucareira nordestina monopolizou a
economia colonial brasileira entre meados do século
XVI e o transcurso do século seguinte, a despeito de
não contar com fontes externas de financiamento e da
falta de adequado mercado consumidor.