Texto II – questões de 3 a 6
1 O Estado-nação brasileiro tem suas raízes na
expansão mercantil-colonial européia do século XVI.
Naquele momento histórico, as burguesias mercantis,
4 aliadas às monarquias, sobretudo portuguesa e
espanhola, empreendiam a busca, para além-mar, do
ouro, da prata ou de produtos que, de alto valor
7 comercial nos mercados europeus, pudessem ser
transacionados com muito lucro. O pau-brasil, que
abundava em nossas florestas tropicais, ao longo da
10 costa atlântica, foi o primeiro alvo do saque aos
recursos naturais, até então manejados por diversos
povos indígenas nômades e seminômades.
13 Ironicamente, a espécie que acabou por dar origem ao
nome do país tornou-se a primeira vítima: o
pau-brasil, madeira de coloração avermelhada que os
16 europeus utilizavam na produção de tinturas, hoje só
existe nos jardins e museus botânicos.
Carlos Walter Porto Gonçalves. Formação sócio-espacial e questão ambiental no
Brasil. In: Berta K. Becker et al. (org.). Geografia e meio ambiente no Brasil.
3.ª ed. São Paulo: Ana Blume – Hucitec, 2002, p. 312 (com adaptações).
Assinale a opção incorreta a respeito do texto II.
-
A Caso fosse omitida a vírgula logo após “mercantis” (R.3), o
texto não sofreria prejuízo do ponto de vista estritamente
sintático, mas a informação expressa no trecho de ocorrência
da vírgula ficaria prejudicada do ponto de vista histórico. -
B Se acatado o rigor gramatical, os adjetivos “portuguesa” (R.4)
e “espanhola” (R.5) deveriam estar flexionados no plural. -
C Contribuiria para a precisão da informação expressa no
segundo período do texto a seguinte reescritura do trecho “ou
de produtos (…) lucro” (R.6-8): ou de outros produtos de
alto valor comercial que pudessem ser, também,
transacionados com muito lucro nos mercados europeus. -
D Há elementos no texto, em especial, o emprego do advérbio
“Ironicamente” (R.13) e da expressão “a primeira vítima”
(R.14), que permitem a inferência de que o Brasil, desde que
se tornou Estado-nação, assim como o produto de que se
originou seu nome, pode ser percebido como vítima de saque. -
E No período situado nas linhas de 8 a 12, há uma comparação
subjacente que enaltece os “diversos povos indígenas
nômades e seminômades” (R.11-12) e que está marcada
lingüisticamente pelo contraste de “[recursos naturais]
manejados” (R.11) com “alvo do saque aos recursos naturais”
(R.10-11), expressão atribuída aos europeus.