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Padrão de Resposta
Após a Independência em 1822 e com o estabelecimento da Assembléia Constitutiva, definem-se claramente duas tendências políticas no País: o grupo dos brasileiros e aquele dos portugueses. Não se tratava ainda de verdadeiros partidos políticos, denominação que se criou com maior consistência na participação política e maior definição de interesses ao longo dos anos do período imperial. A abdicação de D. Pedro I em 1831 leva à separação política de liberais exaltados e moderados que, após a Regência, agrupar-se-iam em liberais e conservadores.
A Regência é o período em que os contrastes partidários encontram-se mais claros, especialmente após a renúncia do Regente Feijó. De 1831 a 1837, configurou-se um período de ação liberal, um movimento que uniu a maioria dos políticos contra o despotismo (pelo qual D. Pedro I havia sido forçado a abdicar), em favor de maior autonomia provincial, e que culminou com a criação do Ato Adicional de 1834, uma espécie de emenda à Constituição outorgada em 1824. No entanto, essa ação liberal foi logo freada por um regresso conservador, pois a ampliação da participação política das Assembléias Legislativas estendeu o conflito político às províncias e gerou uma série de revoltas, como a Balaiada, a Sabinada, a Revolução Farroupilha ou a Praiera. Os políticos liberais, que faziam parte da elite latifundiária, perceberam que a participação popular desses movimentos poderia ameaçar suas propriedades e o regime de escravidão. Assim, os interesses financeiros comuns, além de semelhanças de formação social e intelectual, uniram as elites brasileiras, que superaram suas diferenças ideológicas. O regresso conservador culminou com a antecipação da maioridade do Imperador D. Pedro II, articulada pelos próprios liberais em 1840. O pacto entre ambos os partidos intensificar-se-ia nos gabinetes da Conciliação.
No começo do Segundo Reinado, ainda se podia verificar um grau mais elevado de “fidelidade partidária”, pois a prática das “derrubadas” pelo Poder Moderador retirava a totalidade dos gabinetes de seus cargos e permitia sua substituição pelo outro partido. A coesão entre os partidos também era observada na agressividade das disputas eleitorais que opunha claramente os dois partidos. A legislação eleitoral era fraca e possibilitava fraudes, a exemplo das “eleições do cacete”, violenta forma de manipulação que os liberais utilizaram para se manter no poder. Contudo, a formação de gabinetes mistos durante a fase da Conciliação acabou com a coesão partidária e uniu as elites de tal forma que, dizia-se, não havia “nada mais parecido a um conservador que um liberal no poder”. Ademais, a baixa representatividade dos eleitos, decorrência de um sistema de voto censitário, também contribuía para a indefinição social e ideológica dos políticos.
Tal quadro político-partidário modificou-se por volta de 1870, com o surgimento dos movimentos republicanos. Essa nova corrente ideológica ganhou força com a substituição das elites por novas gerações. Não pesava mais tanto a união política pela unidade territorial da época das revoltas provinciais; a importância do café para a economia nacional havia impulsionado novos grupos no poder, que desejavam reduzir o poder central do Rio de Janeiro e tinham reivindicações federalistas, como a de redução de impostos. O republicanismo também havia se tornado mais influente após a Guerra do Paraguai, pois os militares, cuja participação política era crescente, o haviam adotado após a convivência com as tropas republicanas argentinas e uruguaias. O Republicanismo não era mais uma mera ameaça, como havia sido recorrentemente usado nas reivindicações provinciais, de forma pouco consistente.
Por isso, a emergência de tal ideologia política levou, inevitavelmente, ao fim do Império. Tentou-se uma reforma monárquica para incluir elementos federalistas na Constituição, mas em vão. A República foi finalmente proclamada em 1889, após quase um século de contraste entre o Brasil imperial e seus vizinhos latino-americanos, republicanos desde os anos 1820.