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O primeiro exemplo da via associada de capitalismo foi a construção, com capital norte-americano, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em 1942. Para Vargas, a implantação de uma siderúrgica brasileira tornaria o país mais independente das importações, em uma época em que o Brasil exportava basicamente produtos primários e carecia de divisas, viabilizando-se assim a implantação de uma indústria de base no país.
Cabe ressaltar que a liberação de fundos norte-americanos (via Eximbank) para a construção da CSN foi fruto da política de “eqüidistância pragmática” (Gerson Moura) do Brasil em relação aos EUA e à Alemanha. A política pendular de Getúlio, que ora inclinava-se para os Aliados ora para o Eixo, espelhava as próprias divisões ideológicas da cúpula do Estado Novo, mas acabou por servir como eficiente instrumento de barganha. Aos EUA interessavam manter o maior país da América do Sul em seu subsistema de poder, garantir o fornecimento de minerais estratégicos e montar uma base militar no saliente nordestino, de importância fundamental na guerra do norte da África. Em contrapartida, o Brasil recebeu o financiamento para a construção da CSN.
Outro exemplo da opção varguista pela via associada seria o Acordo Militar de Assistência Recíproca, firmado com os EUA em 1952 (e denunciado em 1977 no contexto das críticas do governo Carter à política de direitos humanos brasileira) em meio à calorosa polêmica entre “nacionalistas” e “entreguistas”, que dividiu as Forças Armadas durante o Segundo Governo Vargas (1951-1954). Para os “nacionalistas”, da industrialização brasileira poderiam participar capitais estrangeiros, desde que os setores sensíveis ficassem a cargo do capital nacional, de preferência público. Os “entreguistas” – assim chamados por seus adversários, que os acusavam de querer “entregar” a economia nacional nas mãos de estrangeiros – eram a favor de uma industrialização baseada no capital estrangeiro, corporificado nas multinacionais.
O Acordo Militar de 1952 previa, em troca da ajuda econômica norte-americana ao Brasil, o fornecimento aos EUA de matérias-primas estratégicas e o apoio militar brasileiro à segurança do continente. Desnecessário dizer que o Acordo desagradou profundamente o segmento “nacionalista”, tendo sido também, em parte, responsável pela perda de legitimidade do governo Vargas.