Texto para as questões de 48 a 50.
Com a queda do Estado Novo, grupos organizados passaram a defender projetos de sociedade, de economia, de organização social e de cultura. Retomar a tradição liberal interrompida com a Revolução de 1930 ou dar continuidade às políticas públicas intervencionistas era a discussão que passou a dominar os debates. Nacionalismo, industrialização com base em bens de capital, proposta de fortalecimento de um capitalismo nacional, criação de empresas estatais em setores estratégicos e valorização do capital humano com redes de proteção social permitiram que, na década de 50, os próprios comunistas aderissem às propostas dos trabalhistas.
Outro projeto seduziu as elites empresariais, políticas e militares, além das classes médias conservadoras. Esse projeto liberal-conservador tinha na UDN seu principal instrumento político e caracterizava-se, entre outros aspectos, pelo antigetulismo, o moralismo e o anticomunismo. Durante toda a experiência democrática brasileira, entre 1945 e 1964, ambos os projetos disputaram a preferência do eleitorado. No entanto, três momentos resultaram em situações de grande conflito: a crise de agosto de 1954, o golpe preventivo liderado pelo general Lott em novembro de 1955 e a Campanha da Legalidade de 1961.
Jorge Ferreira. Crises da República: 1954, 1955 e 1961. In: Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves Delgado (orgs.). O Brasil Republicano: o tempo da experiência democrática – da democratização de 1945 ao golpe civil-militar de 1964. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 303-4 (com adaptações).
Tendo o texto como referência inicial e considerando aspectos marcantes do processo histórico brasileiro entre 1945 e 1964, julgue (C ou E) os itens subseqüentes.
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A instituição do monopólio estatal do petróleo, simultaneamente à criação da PETROBRAS, decorreu de ampla campanha de mobilização popular (“o petróleo é nosso”), momento singular em que, pela primeira e única vez, defensores dos projetos nacional-desenvolvimentista e liberal-conservador se uniram, convictos do caráter estratégico daquela decisão para o futuro do país.
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Sob o ponto de vista econômico, o governo JK se opôs à política getulista, o que explica, em larga medida, o rompimento, em sua sucessão, da aliança PSD–PTB, fato facilitador da vitória do oposicionista Jânio Quadros, candidato escolhido pela UDN.
Anulado. A UDN chegou a apresentar substitutivo ao projeto de lei que criaria a PETROBRAS, embora alguns historiadores defendam a idéia de que tal substitutivo tinha como real objetivo criar novas barreiras ao processo. Assim, por permitir mais de uma resposta possível, a assertiva foi anulada.
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A renúncia de Jânio à presidência da República, poucos meses depois de iniciado seu governo, jogou o país em grave crise política, na qual se fez presente a perspectiva de guerra civil. Acusado de esquerdista e de comprometido com o radicalismo sindical, o vice-presidente Goulart teve sua posse contestada pelos adversários do getulismo, representados, naquela tensa conjuntura, pelos três ministros militares.
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Considerada por alguns como solução de compromisso e, por outros, como golpe branco, a adoção do parlamentarismo possibilitou a Jango assumir a chefia do Estado. O retorno ao presidencialismo, por força do plebiscito de 1963, permitiu a Goulart executar seu programa reformista, excetuando-se a reforma agrária.