Texto para as questões de 1 a 5.
Cujas Canções
É costume cada um colocar sua profissão ou títulos nos1
cartões de visitas. No tempo das guerras cisplatinas até ficou
famoso alguém que assim se apresentava: “José Maria da
Conceição — tenente dos Colorados”.4
Ora, quem escreve estas linhas já recebeu alguns
títulos da generosidade de seus conterrâneos. Se pusesse todos
eles, seria pedante; escolher um só seria indelicadeza para7
com os outros proponentes.
Quanto a mim, sempre fui de opinião que bastava o
nome da pessoa, sem a vaidade de títulos secundários. Mas eis10
que a minha camareira fez-me cair em tentação. Dá-se o caso
que saiu a edição do meu livro Canções, ilustrado por Noêmia
e que, ao ser noticiado por Nilo Tapecoara no Bric-à-brac da13
vida, este o publicou com o meu retrato em duas colunas e,
abaixo do mesmo, uma notícia que assim principiava, com a
primeira linha impressa em letras maiúsculas: MÁRIO16
QUINTANA, CUJAS CANÇÕES etc. etc…
Ora, na manhã daquele dia, ao servir-me o café na
cama, sia Benedita não podia ocultar o orgulho que lhe19
causava o seu hóspede e repetia: “Cujas canções, hein, cujas
canções!”
O seu maior respeito era devido, sem dúvida, à22
misteriosa palavra “cujas”.
Mario Quintana. Poesia completa. Rio de
Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 959.
O primeiro período do texto remete ao tempo das guerras
cisplatinas, contexto histórico marcante para o Brasil das
primeiras décadas do século XIX. Relativamente ao tema, julgue
(C ou E) os itens seguintes.
-
Longe de ser mera bravata e, mais ainda, de integrar um
grandioso projeto de Império luso na América, a
decisão de incorporar a Banda Oriental foi tomada por
D. João VI por imposição da Santa Aliança, como
forma de punir Napoleão Bonaparte pela invasão da
Espanha. -
As questões relativas ao domínio do estuário do rio da
Prata, que geram permanente tensão e levaram à guerra
na segunda metade dos anos vinte do século XIX,
surgem no rastro das independências da Argentina e do
Brasil, rompendo uma histórica convivência harmoniosa
e pacífica entre as antigas metrópoles, Espanha e
Portugal. -
Sem que tenha manifestado o desejo de se tornar
independente, a Cisplatina foi incorporada por Buenos
Aires, em 1825, decisão que, num primeiro momento,
não suscitou atitude de represália por parte do Brasil.
A mudança de atitude do governo do Rio de Janeiro foi
determinada pela pressão da opinião pública, daí
advindo a guerra contra a Argentina. -
Não se pode falar em política externa brasileira no
Primeiro Reinado (1822-1831), pois que um tema — o
reconhecimento da Independência — monopolizou as
atenções da diplomacia do nascente Estado brasileiro.