CACD

HISTÓRIA DO BRASIL 2006
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Questão q5 de 2006

Tempo: 00:00
Texto Auxiliar 1

Texto para as questões de 1 a 5.
Cujas Canções
É costume cada um colocar sua profissão ou títulos nos1
cartões de visitas. No tempo das guerras cisplatinas até ficou
famoso alguém que assim se apresentava: “José Maria da
Conceição — tenente dos Colorados”.4
Ora, quem escreve estas linhas já recebeu alguns
títulos da generosidade de seus conterrâneos. Se pusesse todos
eles, seria pedante; escolher um só seria indelicadeza para7
com os outros proponentes.
Quanto a mim, sempre fui de opinião que bastava o
nome da pessoa, sem a vaidade de títulos secundários. Mas eis10
que a minha camareira fez-me cair em tentação. Dá-se o caso
que saiu a edição do meu livro Canções, ilustrado por Noêmia
e que, ao ser noticiado por Nilo Tapecoara no Bric-à-brac da13
vida, este o publicou com o meu retrato em duas colunas e,
abaixo do mesmo, uma notícia que assim principiava, com a
primeira linha impressa em letras maiúsculas: MÁRIO16
QUINTANA, CUJAS CANÇÕES etc. etc…
Ora, na manhã daquele dia, ao servir-me o café na
cama, sia Benedita não podia ocultar o orgulho que lhe19
causava o seu hóspede e repetia: “Cujas canções, hein, cujas
canções!”
O seu maior respeito era devido, sem dúvida, à22
misteriosa palavra “cujas”.
Mario Quintana. Poesia completa. Rio de
Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 959.

O primeiro período do texto remete ao tempo das guerras
cisplatinas, contexto histórico marcante para o Brasil das
primeiras décadas do século XIX. Relativamente ao tema, julgue
(C ou E) os itens seguintes.

  1. Longe de ser mera bravata e, mais ainda, de integrar um
    grandioso projeto de Império luso na América, a
    decisão de incorporar a Banda Oriental foi tomada por
    D. João VI por imposição da Santa Aliança, como
    forma de punir Napoleão Bonaparte pela invasão da
    Espanha.

  2. As questões relativas ao domínio do estuário do rio da
    Prata, que geram permanente tensão e levaram à guerra
    na segunda metade dos anos vinte do século XIX,
    surgem no rastro das independências da Argentina e do
    Brasil, rompendo uma histórica convivência harmoniosa
    e pacífica entre as antigas metrópoles, Espanha e
    Portugal.

  3. Sem que tenha manifestado o desejo de se tornar
    independente, a Cisplatina foi incorporada por Buenos
    Aires, em 1825, decisão que, num primeiro momento,
    não suscitou atitude de represália por parte do Brasil.
    A mudança de atitude do governo do Rio de Janeiro foi
    determinada pela pressão da opinião pública, daí
    advindo a guerra contra a Argentina.

  4. Não se pode falar em política externa brasileira no
    Primeiro Reinado (1822-1831), pois que um tema — o
    reconhecimento da Independência — monopolizou as
    atenções da diplomacia do nascente Estado brasileiro.