CACD

HISTÓRIA DO BRASIL 2006
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Questão q19 de 2006

Tempo: 00:00
Texto Auxiliar 1

O Brasil fez-se Império antes de se fazer nação. No contexto internacional da época, nosso processo de independência foi algo aberrante não apenas devido ao regime monárquico que adotou, como não se cansará de frisar a propaganda republicana de finais do Segundo Reinado, mas também devido à forma imperial que tomou o Estado brasileiro numa conjuntura que já se anunciava nitidamente desfavorável às construções imperiais e eminentemente marcada pelo triunfo da idéia nacional na Grécia, depois na Bélgica, na Espanha, que se levantara em 1808 contra o império napoleônico, no próprio Portugal das Cortes de Lisboa, que, no momento azado, não hesitou em sacrificar o Brasil aos seus objetivos estritamente nacionais. Uma das questões curiosamente negligenciadas pela nossa historiografia é precisamente a de se verificar por que o Brasil adquiriu sua independência sob a forma de Império e não de Reino, como seria de se esperar do fato, entre outros, de que, desde 1816, D. João VI o promovera a esta condição.

Evaldo Cabral de Mello. Um imenso Portugal: história e historiografia. São Paulo: Ed. 34, 2002, p. 24 (com adaptações).

Tendo o texto como referência inicial e considerando os múltiplos aspectos que envolvem o processo de independência do Brasil, julgue (C ou E) os itens seguintes.

  1. Tal como se efetivou, a independência pode ser considerada o grande momento revolucionário da história brasileira, uma vez que, além de promover a ruptura política com a antiga metrópole, erigiu o Estado sobre pilares que se distanciavam daqueles sobre os quais se assentara, por três séculos, a estrutura colonial.

  2. O consenso entre as elites brasileiras acerca do projeto nacional que presidiria o Estado surgido com a independência explica a coesão obtida por D. Pedro I quando da decisão de romper os laços de subordinação política do Brasil a Portugal.

  3. O Brasil que surge com o 7 de setembro de 1822 reitera, sob o ponto de vista político, a hegemonia das elites nordestinas e a considerável perda de espaço dos grupos economicamente poderosos do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e de São Paulo, realidade que seria alterada com o advento da República, em fins do século XIX.

  4. Ainda que não se possa admitir a existência de relação direta e automática entre os processos históricos europeus e os latino-americanos, a Revolução Industrial foi fator estrutural desestabilizante do Antigo Regime na Europa e contribuiu para a desintegração do Antigo Sistema Colonial na América.